Deputada Laura Carneiro defende aposentadoria diferenciada para mulher

A deputada Laura Carneiro (PMDB-RJ) apresentou emenda à reforma da Previdência para que a idade limite de homens e mulheres fique diferenciada. Na proposta do governo federal, a idade mínima para aposentadoria é de 65 anos, indistintamente. Laura Carneiro defende que as mulheres possam se aposentar cinco anos antes, aos 60 anos.

É muito injusto propor a mesma idade para os dois. A mulher tem carga de trabalho de 30 horas a mais por mês do que o homem”, afirmou a deputada Laura Carneiro, referindo-se a dados do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), com base na mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.

Em uma conversa reservada com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, a deputada classificou de “maldade” a manutenção da mesma idade para as mulheres na proposta do Governo. Na ocasião, o ministro reafirmou que o país quebraria se a reforma não fosse feita.

A conta tem que levar em consideração, em primeiro lugar, as pessoas que contribuíram a vida toda, especialmente as mulheres que têm jornada tripla”, frisou a deputada.

Laura Carneiro lembrou que o mercado de trabalho, atualmente, é muito desigual. Pesquisa mais recente do IBGE mostrou que, apesar de serem hoje 43,8% dos trabalhadores brasileiros, representam somente 37% dos cargos de direção e gerência. Além disso, a mulher ganha 76% do salário dos homens. E nos cargos mais altos, essa proporção vai para 68%.

Os números da própria Previdência escancaram as diferenças: entre os aposentados por idade, a mulher é maioria, 64%, mas tem renda menor, em torno de um salário mínimo. E exatamente onde os rendimentos são maiores, nas aposentadorias por tempo de contribuição, a presença feminina é de apenas 30%.

“Claro, como a mulher pode acumular tempo como o homem, com tantas tarefas ao mesmo tempo para cumprir?”, argumentou a deputada.

Ela conseguiu 194 assinaturas para sua emenda na reforma da Previdência em tempo recorde – apenas dois dias. São necessárias 171 e, geralmente, leva-se uma semana no Congresso para obtê-las. Parlamentares de partidos governistas e de oposição apoiaram.

Ainda temos que avançar muito nessa questão dos direitos da mulher. E o projeto da Previdência é uma prova disso. Como não diferenciá-las?”, indagou Laura Carneiro, indignada.

Mostrando a lista de assinaturas, ela apontou que 25 assinaturas foram de mulheres ou 12,88% do total. E não é pouco: a Câmara hoje tem apenas 0,9% de representatividade feminina.

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  • 06/04/2017 a 15:01
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    Acontece que ninguem emprega mulheted principalmente no nordeste com mais de 50 anos

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Redação Brasil News

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