Governo vai adiar reajuste de servidores, aumentar tributos e modificar teto salarial

O Governo Federal anunciou ontem, 15, um novo pacote de medidas para reduzir custos e aumentar a arrecadação no âmbito da União. Uma das principais novidades é o adiamento, para 2019, do reajuste prometido a servidores para janeiro do ano que vem. Isso deve gerar uma economia de quase R$ 5,1 bilhões para 2018. Professores, policiais, bombeiros, carreiras jurídicas, peritos do Instituto Nacional de Seguridade Social – INSS e servidores de diversos institutos devem ser prejudicados com a suspensão do reajuste.

A equipe econômica também estuda modificar o teto salarial no serviço público para todos os poderes em âmbito federal, estadual e municipal, que não poderia ultrapassar os R$ 33,4 mil pagos a ministros do Supremo Tribunal Federal – STF. Se aprovado, vai incluir todas as verbas recebidas pelos servidores, inclusive indenizações, vantagens ou gratificações, como auxílio-moradia, auxílio-paletó, auxílio-transporte e combustível. Pelo modelo atual, esses benefícios não entram na contagem do teto.

As medidas propostas pelo governo devem resultar na extinção de 60 mil cargos públicos, atualmente vagos, e no aumento do tempo para progressão da carreira, que subirá de 13 para até 30 níveis. A contribuição previdenciária dos servidores também saltará de 11% para 14% para quem ganhar mais que R$ 5,3 mil. Quando estiver em estágio probatório, a remuneração não poderia ser maior que R$ 5 mil, independentemente do cargo do servidor. Com o passar do tempo, os salários cresceriam gradualmente. A ideia é aproximar os salários da realidade do mercado da iniciativa privada.

A maioria das proposições deverá ser analisada previamente pelo Congresso Nacional. A única exceção é a decisão do governo de adiar um benefício a empresas exportadoras por meio do programa denominado Reintegra.

Impacto pesado para o servidor público

As medidas foram anunciadas logo após os ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, e do Planejamento, Dyogo Oliveira, confirmarem que o governo vai propor ao Congresso elevar o déficit nas contas públicas em 2017 e 2018 para R$ 159 bilhões.

“Foi excluída a possibilidade de aumento de impostos, o que é uma notícia boa. Para os servidores públicos, no entanto, o cenário não é dos melhores. É fato que medidas devem ser tomadas para reduzir os gastos, o que incluiria, em último caso, a demissão de servidores”, afirma o advogado e professor de Direito Jorge Ulisses Jacoby Fernandes.

O professor destaca que cortes drásticos na remuneração podem afastar os melhores profissionais da carreira pública. Afinal, a iniciativa privada poderá oferecer salários melhores.

“É o caso, por exemplo, das empresas estatais, que precisam competir com concorrentes do ramo privado – e que, portanto, devem remunerar como tal, sob o risco de perder seus executivos. A questão é complexa, as mudanças são polêmicas, e certamente haverá ainda muito debate nas diversas esferas: no Executivo, no Congresso e no âmbito da própria sociedade brasileira”, conclui Jacoby Fernandes.

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  • 17/08/2017 a 10:10
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    Estado falido. Preparem-se, vem mais coisa por aí (o aumento de impostos será fatal, diante do grave estado das finanças públicas).

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Redação Brasil News

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