Governo já havia sido alertado para rebaixamento do grau de investimento, diz Folha

O Governo Federal já sabia da possibilidade de perder o grau de investimento desde o final de Julho. A informação é da Folha de S. Paulo. Desde que cortou de 1,1% para 0,15% do PIB a meta fiscal deste ano, o governo de Dilma já havia sido avisado dos riscos. Segundo um assessor do Palácio, a perda era “pedra cantada”. Oficialmente, porém, a presidente foi avisada pela agência S&P apenas três horas antes de publicar o rebaixamento.

Agora, diz o Jornal, o governo corre contra o tempo para tentar reverter o crítico cenário. Com a nota, a possibilidade mais evidente é a queda do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Além disso, a decisão da agência pode contaminar as definições de outras agências. Para conter a imagem negativa que a perda no grau de investimento gera ao país, o governo deve salientar que a meta fiscal de superávit de 0,7% do PIB, em 2016, será atingida de qualquer maneira.

Também segundo a Folha de S. Paulo, ao ser avisada três horas antes, Dilma reuniu-se em seu gabinete com os ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Nelson Barbosa (Planejamento). A ordem da presidente à equipe foi de dar “ar de normalidade” à situação, mesmo com o rebaixamento. Mais tarde, porém, em entrevista, o Barbosa disse que o governo foi “surpreendido” com a perda. De acordo com ele ainda, a situação “será revertida à medida que as condições econômicas do país melhorem”.

O ministro avaliou, ainda na entrevista, que o Brasil está “numa fase transição, de travessia, num momento de dificuldade econômica que já ocorreu no passado e que outros países também já atravessaram”.

“É preciso fazer escolhas”

Em entrevista ao Jornal da Globo, na noite desta quarta-feira (9), o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse que é “preciso fazer escolhas”. Para ele, sem coragem, “tudo ficará mais caro”. Por isso, ressaltou, “é preciso fazer”.

Segundo o ministro, o governo entende que “o esforço fiscal é essencial para equilibrar a economia em um ambiente global de incerteza”.

Agência previu riscos

Para a S&P, o Brasil terá dois anos de retração da economia. Neste ano, a previsão é de queda de 2,5% no PIB. Em 2016, de 0,5%. Para a agência, o país só volta a crescer, a passos lentos, em 2017. Em nota divulgada, justificando o rebaixamento, a agência dá ainda sinais de que, de fato, desde Julho, o país apresentou sinais claros de risco.

“Acreditamos que o perfil de crédito do Brasil enfraqueceu ainda mais desde 28 de julho, quando revisamos a perspectiva do Brasil para negativa. Naquele momento, sinalizamos riscos maiores de execução para as mudanças políticas corretivas já em andamento, resultantes principalmente das dinâmicas fluidas no Congresso associadas ao alastramento dos efeitos das investigações sobre corrupção na estatal de energia Petrobras. Nós agora vemos menos convicção, dentro do gabinete da presidente, sobre a política fiscal”, aponta o comunicado da agência.

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Carla Machado

Carla Machado

Jornalista com experiência em assessoria de imprensa, onde trabalhou na produção de conteúdo interno e externo e no atendimento à imprensa, e em jornal, revista e site, nos quais foi repórter. No dia 22 de maio de 2014, recebeu o prêmio Paulo Octavio de Jornalismo, pela categoria Melhor Série de Reportagem, com a série #Brasíliaquerandar, do Jornal de Brasília.