Marqueteiro Chico Mendez explica sua visao sobre o marketing politico

Entender o mundo como ele é, e não como eu imagino que deva ser. Por Chico Mendez

Essa é o meu desafio diário para compreender as relações entre tempo, espaço e personagens. Somos escravos – e vítimas – de nossos vieses de confirmação. Estamos cada vez menos abertos a argumentos que divergem de nossas crenças. Ao nos fecharmos em grupos cada vez mais restritos, automaticamente impomos uma sentença à nossa capacidade de reflexão. Para uma narrativa fluir livremente, temos que compreender tempo, espaço e personagem em um ambiente sem preconceito, sem vieses.

Uma boa narrativa começa com um bom olhar sobre a opinião pública. Um olhar, aliás, anárquico, que permita ao observador entender as realidades de cada gueto, quebrar os códigos culturais e enxergar os porquês do comportamento de determinados grupos. A busca por uma verdade absoluta não leva a um caminho seguro. Não há verdade que não possa ser contada com inúmeras mentiras. Para filtrar corretamente e fugir dos dualismos e das nuances entre “verdade” e “mentira” e “certo” e “errado”, temos que calibrar os olhos e desopilar a mente.

Narrativa eficiente

Países, instituições, empresas, partidos políticos, ONGs e governos disputam cada vez mais a atenção de grupos de interesse. Nesse campo de batalha, a principal disputa não se dá entre exércitos, mercenários ou grupos de força. Essa rixa se dá entre narrativas. Aquele que detém a melhor história, que entende mais rapidamente onde e o porquê de estar ali, é capaz de criar os melhores argumentos para usar a força mais importante que temos hoje: a persuasão.

A narrativa eficiente transforma personalidades, estabelece novas associações imagéticas, cria laços de afetividade e constrói pontes que comunicam mundos opostos. Persuadir não é um opção. Persuadir passa a ser uma condição para sobreviver.

No mundo real, um empresário tem de persuadir seus acionistas para aumentar o capital da empresa; um banco tem de ter criar uma narrativa para vender uma companhia no mercado; um repórter tem de convencer seu editor a publicar uma boa história; um médico tem de persuadir seu paciente a enfrentar o tratamento; um publicitário usa seu poder de criação para convencer um nicho de que determinado produto lhe cai bem; e uma boa comunicação política estabelece laços de confiança, identificação e empatia entre a sociedade e seu líder.

A guerra de palavras, histórias e argumentos não é necessariamente pacífica.

Os campos de batalha são inúmeros e é possível atacar em diversas frentes. Acredito que o ápice de uma boa guerra de narrativas acontece em uma campanha eleitoral. Ali, as forças não agem independente. Elas precisam se unir debaixo de um guarda-chuva de argumentos e sair em batalhões de infantaria, armadas da marinha e frotas de aeronaves. Em uma campanha, mundos opostos que tradicionalmente não se misturam, como a publicidade e o jornalismo, se unem. Profissões antagônicas que raramente conversam, como direito e o marketing, se atrelam.

A necessidade de estabelecer laços entre diferentes é um das funções da “narrativa”. Ela gera identificação, ativa grupos, mobiliza, persuade. Estabelecemos conexões com outras pessoas baseadas em histórias de vida, em exemplos de superação. Nos relacionamos muito mais com relatos pessoais do que com números e planilhas.

Vejo a construção de narrativas como uma terapia diária para entender o outro. Essa terapia ajuda a romper preconceitos e construir pontes entre mundos opostos. Le Bon, em meados do século 19th, defendeu que o indivíduo perde a sua capacidade de pensar por si quando parte de um grupo. A mentalidade grupal se sobrepõe à capacidade pessoal de cada um, somos levados a tomar atitudes que não tomaríamos individualmente. Logo, compreender o indivíduo e os grupos que se formam hoje aos milhares nas redes é premente para criar mais e melhores narrativas.

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  • 25/10/2017 a 10:43
    Permalink

    Chico Mendez cursou comunicação na PUC-SP e obteve o titulo de mestre em ciência política
    pela Georgetown University. Ja morou em São Paulo, Rio de Janeiro, Caracas, Washington e Nova York.
    Já teve experiencias em jornais, revistas e rádio.

    Na publicidade, liderou dezenas de trabalhos eleitorais e
    institucionais no Brasil e na América Latina e auxiliou algumas marcas, associações, líderes e pessoas
    ajudando a melhorar novas iniciativas.

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Redação Brasil News

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