Após conversa com assessor de Trump sobre Venezuela, Bolsonaro diz que Brasil vai tomar medidas “legais e pacíficas”

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, disse, nesta quinta-feira (29), que pediu conselhos ao Segurança Nacional dos Estados Unidos, John Bolton, sobre medidas para enfrentar a crise na Venezuela, mas não quis revelá-los em entrevista coletiva realizada depois do encontro, no Rio de Janeiro.

“Temos que buscar soluções para Venezuela. Precisamos tomar medidas”, afirmou Bolsonaro. Faremos o possível pelas vias legais e pacíficas porque sentimos os reflexos da ditadura instalada na Venezuela. Vai ser difícil tirá-los dessa situação”, completou. 

Efeitos

Segundo o presidente eleito, os cerca de 80 mil cubanos instalados na Venezuela são um “agravante” do problema.”Nossa diplomacia vai atuar na Venezuela“, ponderou. 

Outros pontos que foram temas da reunião, de acordo com Bolsonaro, foram questões armamentistas, geopolítica e assuntos internos importantes nas relações entre os dois países.

“Foi uma grande aproximação e outro passo que demos em relação aos EUA e que os EUA deram em nossa direção. Pretendemos aprofundar essas conversas para que elas tenham, entre outras coisas, frutos econômicos”, disse. 

Posse

O presidente eleito, após a conversa, não descartou a possibilidade de Trump vir ao Brasil para sua posse, no dia 1º de janeiro. Mas, garantiu que aceitou o convite feito por Bolton, a pedido do presidente americano, para visitar a Casa Branca nos primeiros meses de 2019. 

“Pretendo, em um primeiro momento, fazer uma viagem curta a países da América do Sul, ao Paraguai, à Argentina e ao Chile, mas a próxima seria aos Estados Unidos, dependendo das minhas condições de saúde, já que tenho que operar em janeiro”

disse Bolsonaro, referindo-se à cirurgia pela qual terá que passar para retirar a bolsa de colostomia implantada após o ataque sofrido na campanha eleitoral.

Outros assuntos

A possível mudança da embaixada do Brasil em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, seguindo a medida adotada por Trump, também foi tema de conversa entre Bolton e Bolsonaro. Porém, o presidente eleito foi menos contundente sobre o tema do que em outras oportunidades.

“Conversamos também sobre esse assunto, como fiz na quarta-feira com o embaixador de Israel no Brasil. Essa possibilidade existe. Em Jerusalém, ali tem duas partes. Uma parte não está em litígio. A embaixada americana foi para essa parte”, argumentou Bolsonaro.

A alegação, no entanto, não é corroborada pela comunidade internacional. A Resolução 478 do Conselho de Segurança da ONU diz que a anexação de Jerusalém por parte de Israel, em 1980, como ilegal, e pede aos líderes mundiais que não estabeleçam representações diplomáticas de seus países na cidade.

Sobre o anúncio do governo brasileiro de desistir de sediar a Cúpula do Clima da ONU de 2019 (COP25), Bolsonaro voltou a afirmar que a decisão foi um pedido seu. 

“Nossa diplomacia agiu contra a questão da COP25 porque não é do nosso interesse e porque o que está em jogo é a nossa soberania. Espero que vocês nos ajudem a desvendar o grande mistério, a questão do Triplo A. Não podemos em troca do acordo do clima, que nós somos favoráveis à preservação do meio ambiente, entregar grande parte da Amazônia a uma administração externa”, afirmou Bolsonaro.

O projeto do Triplo A, citado pelo presidente eleito, foi idealizado em 2015 pela fundação colombiana Gaia Amazonas. O plano, porém, não avançou. Ele previa a criação de um corredor ecológico na Amazônia, ligando a Cordilheira dos Andes ao Oceano Atlântico.

Da Redação, com Agência EFE

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Redação Brasil News

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