Renan volta a dizer que não quer cargos no governo e reafirma a posição de independência do Senado

As insinuações de que estaria fazendo gestões nos bastidores do governo para obter cargos no Executivo para seus aliados, levaram o presidente do Senado, Renan Calheiros, a reafirmar de forma categórica que “qualquer indicação para cargos do Executivo, atribuídas a mim, deve ser descartada”, pois entende que “a independência é condição indispensável para controle recíproco entre os poderes e não deve ser embaçada por ações incompatíveis com o exercício da Presidência do Congresso Nacional”. Desta vez, Renan se valeu de uma carta endereçada ao vice-presidente da República e articulador político do governo, Michel Temer, para colocar um ponto final nas especulações sobre seu interesse em cargos públicos.

Renan Calheiros tem procurado manter uma posição de independência em relação ao Executivo para incomodo de dirigentes partidários próximos à presidente Dilma. Renan Calheiros incluiu na carta encaminhada ao articulador político Michel Temer um esclarecimento sobre seu papel no atual contexto político destacando que sempre buscou “ser um agente facilitador de  soluções afinadas com o interesse público e participar do debate de maneira construtiva. Eventuais dissonâncias fazem parte da harmonização da democracia que rege as instituições”.

MENOS GASTOS

Desde que a presidente Dilma promoveu uma minirreforma ministerial, que implicou na troca do ministro do Turismo, Vinicius Lages, pelo ex-presidente da Câmara e candidato derrotado ao governo do Rio Grande do Norte, Henrique Alves, líderes partidários da base aliada e autoridades com acesso ao Palácio do Planalto têm deixado vazar que Vinicius Lages, alagoano, é um afilhado político de Renan e que a demissão do ministro foi a responsável pela irritação do presidente do Senado. Esses boatos cresceram quando Renan não compareceu à posse de Henrique Alves, no Turismo. Em nenhum momento Renan Calheiros questionou publicamente a decisão da presidente Dilma.

Ao Vinicius Lages o governo acenou com diversos cargos de 2º escalão como premio de consolação por ter perdido o ministério, mas o ex-ministro preferiu aceitar o convite de Renan Calheiros para assumir a Chefia de Gabinete do presidente do Senado, o que foi suficiente para reacender as especulações sobre o desagrado do Renan com minirreforma ministerial promovida pela presidente Dilma.

Mas, a verdade é que Renan Calheiros tem se posicionado contra o uso de cargos públicos pelo governo para conseguir apoio de parlamentares da base aliada às matérias de interesse do governo. Renan tem defendido a redução da máquina estatal, inclusive apoiando o Projeto de Emenda Constitucional (PEC), de autoria do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que fixa em 20 a quantidade máxima de ministérios, ao contrário dos 39 de hoje. Só essa medida significa uma economia de 2,54% do PIB, o que é muito se considerar que a meta de reduzir os gastos do governo em 1,2% do PIB este ano, conforme prevê o plano de ajuste fiscal, vai proporcionar uma economia de R$ 66 bilhões.

SENADO INDEPENDENTE

O presidente Renan tem acompanhado com certa apreensão as articulações políticas do vice-presidente da República, Michel Temer, com vistas ao preenchimento de cargos públicos por parlamentares ou seus afilhados. Na quinta-feira, dia 30, Renan reagiu com críticas à condução da articulação política entre o governo e o Congresso conduzida pelo presidente do seu partido, o vice-presidente Michel Temer. Apesar de não o acusar diretamente de estar distribuindo cargos, Renan afirmou que o PMDB não pode se transformar em um “coordenador de RH”, numa referência aos departamentos de recursos humanos das empresas.

Para Renan Calheiros, o “pior papel que o PMDB pode fazer é substituir o PT naquilo que o PT tem de pior que é no aparelhamento do Estado. O PMDB não pode transformar a coordenação política, sua participação no governo, em uma articulação de RH, para distribuir cargos e boquinhas. Eu acho que isso tudo faz parte de um passado do Brasil que nós temos que cada vez mais deixa-lo para trás”, atacou. Renan entende que “a condução do presidente Temer tem que ter como objetivo dar um fundamento à coalizão, qualificar a coalizão de governo. O papel é esse, não o retrocesso que essa distribuição de cargos significa. Não se trata de saber quem é o dono da coalizão. Trata-se de acabar com o aparelho. Não adiante mudar o dono do aparelho”, afirmou.

Naquela ocasião, Renan voltou a dizer que não quer indicar cargos para o Executivo. “Não vou indicar cargo no Executivo. Esse papel hoje é incompatível com o Senado independente. Prefiro manter a coerência do Senado independente não participando de forma nenhuma de indicação de cargos no Executivo”, afirmou.

ESTABILIDADE POLÍTICA

Mesmo não tendo citado nomes, a imprensa considerou como uma resposta às críticas feitas por Renan Calheiros, a nota que Michel Temer divulgou explicando qual era seu papel como articulador político do governo.

Não usarei meu cargo para agredir autoridades de outros Poderes. Respeito institucional é a essência da atividade política, assim como a ética, a moral e a lisura. Não estimularei um debate que só pode desarmonizar as instituições e os setores sociais. O País precisa, neste momento histórico, de políticos à altura dos desafios que hão de ser enfrentados. Trabalho hoje com o objetivo de construir a estabilidade política e a harmonia ensejadoras da retomada do crescimento econômico em benefício do povo brasileiro. Se outros querem sair desta trilha, aviso que dela não sairei – disse.

Na carta encaminhada ao Michel Temer nesta data, dia 5, Renan Calheiros destacou que não era seu objetivo “rebater a nota” do vice-presidente da República, presidente do PMDB e articulador político do governo Dilma, mas na realidade foi uma oportunidade para reafirmar seu desinteresse por cargos públicos.  Ao concluir, disse: “Reitero meu desejo de que Vossa Excelência, em um momento grave do País, desempenhe suas atribuições de coordenador político com êxito e me ponho à disposição para apoiar iniciativas que engrandeçam a missão que desempenhamos”.

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  • 10/05/2015 a 11:13
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    Me surpreende a posição de V. excia, mas melhor tarde do que nunca; que esse posicionamento,possa ser seguido, pelo presidente Eduardo cunha, Eunício Oliveira, líder do PMDB no SENADO, e que esse partido volte suas orígens, e que possa dar um basta no achatamento que a classe trabalhadora está sendo achatada, pagando roubo que nunca praticou e sendo acusada pelo senhor duputado Guimarães que afirmou essa severgonhesa, dizendo que essa falso ajuste fiscal, é para corrigir distorções.

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