Dilma busca mais apoio no PMDB e Temer diz que impeachment é “impensável”.

A presidente Dilma viaja nesta terça-feira, dia 7, para a Rússia e depois vai para a Itália. Mas, antes de partir reuniu no Palácio da Alvorada as principais lideranças políticas da base de apoio ao Governo, o chamado Conselho Político, para uma avaliação do quadro atual e para evitar surpresas quando retornar ao país no sábado, dia 11, como o fortalecimento de um movimento pró-impeachment. Dilma está empenhada em buscar apoio no PMDB para compensar a falta de unidade nas fileiras petistas, o que tem contribuído para fragilizar o governo em votações de matérias que possam prejudicar o ajuste fiscal. O articulador político do governo, Michel Temer (PMDB-SP), disse que falar em impeachment no momento “é impensável”.
Numa coisa, contudo, os lideres políticos concordam, o que mais preocupa o Planalto é a possibilidade do TCU não aceitar as justificativas sobre as “pedaladas” fiscais, o que levaria à rejeição das contas do Governo do ano passado. Isso seria o suficiente para encorajar a oposição, especialmente os tucanos, a apresentar no Congresso o pedido de impeachment. Além disso, com a delação premiada de alguns envolvidos na Operação Lava Jato sempre fica o suspense sobre a possibilidade de que novas revelações podem envolver lideranças petistas. Os partidos governistas preferem falar em pacto pela governabilidade entre os aliados, como forma de neutralizar o que chamam de “tentativa de golpe”.

GOVERNO TRANQUILO

A Convenção do PSDB, realizada no domingo, dia 5, deixou a certeza de que a oposição ganhou espaço na mídia com a volta do tema do impeachment. O vice-presidente e articulador político do governo, Michel Temer, em entrevista à Agência Brasil, disse que não há crise política no país e que a relação entre o governo e o Congresso Nacional é boa, “comprovada pela aprovação da maioria das matérias do Executivo enviada ao Parlamento, entre elas as medidas do ajuste fiscal”.
“Fizemos uma análise da conjuntura política e estamos todos muito tranquilos em relação às providências que o governo está tomando. Fizemos essa avaliação conjuntural para revelar que o governo continua tranquilo em relação ao que vem fazendo e ao muito que fará ainda pelo país”, disse Temer, após reunião de coordenação política com Dilma.
Segundo Temer, “a presidenta está inteiramente tranquila e todos achamos que é o impeachment é algo impensável para o momento atual. Vejo essa pregação com muita preocupação, porque não podemos ter uma tese dessa natureza sendo patrocinada por vários setores, temos que ter tranquilidade institucional”, afirmou Temer. Para ele, um impedimento da presidenta da República poderia revelar uma crise institucional que é indesejável para o país. “Nisso, há uma certa uniformidade dos partidos da base”, acrescentou.

O vice-presidente também rebateu declarações feitas pelo presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), durante convenção do partido ontem (5), de que o governo Dilma “pode ser mais breve do que alguns imaginam”. “Esse em breve, todos esperamos que seja daqui a três anos e meio, quando haverá novas eleições”, respondeu Temer.

Segundo ele, o PSDB está cumprindo seu papel de oposição, mas é preciso evitar “qualquer espécie de crise institucional” no país. “No sistema democrático, a oposição existe para ajudar a governar, quando critica, fiscaliza, pondera, quando objeta, contesta, quando ela contraria, controverte, está ajudando a governar, este é o papel da oposição” – concluiu.
A reunião do Conselho Político ocorreu um dia antes do embarque da presidente Dilma Rousseff para a Rússia, onde participará da Cúpula dos Brics, em Moscou. O BRICS é uma organização informal da qual fazem parte o Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Um dos temas da reunião é a abertura do Banco de Fomento dos Brics, em prosseguimento às conversações iniciadas pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, durante encontro com o presidente russo, Vladimir Putin, em Moscou, em junho deste ano, quando se discutiu a criação do Parlamento dos Brics. De Moscou, Dilma segue para a Itália, onde cumprirá agenda em Roma e Milão. O retorno da presidente ao Brasil está previsto apenas para o próximo sábado (11).

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