Ministros elogiam posições de Renan Calheiros e recomendam ao governo melhorar diálogo com o Senado

Os ministros da Defesa, Jacques Wagner (PT-BA) e da Aviação Civil, Eliseu Padilha (PMDB-RS) teceram elogios a atuação política do presidente do Senado, Renan Calheiros, durante reunião da presidente Dilma com os integrantes da coordenação política do governo, realizada nesta data (dia 20), no Palácio Planalto. Padilha lembrou que Renan “é um dos quadros mais destacados do processo político nacional” e Jacques Wagner o definiu como “um aliado”. Sobre as críticas feitas pelo presidente do Senado durante balanço das atividades da Casa no primeiro semestre, divulgadas pela TV-Senado, no dia 17, Wagner defendeu o direito de Renan de colocar “seu ponto de vista”.
No pronunciamento divulgado pela TV-Senado, na sexta-feira, dia 17, Renan fez duras críticas ao ajuste fiscal, que vem sendo implementado pela presidente Dilma como única alternativa para se conseguir uma economia de R$ 66,3 bilhões dos gastos públicos em 2015, o que corresponde a 1,1% do PIB. Mas, Renan demonstrou que não esta indiferente as dificuldades do governo. “Não queremos e nem seremos agentes da instabilidade, ao contrário, queremos contribuir para proporcionar tranquilidade e a estabilidade que o país precisa. A disposição do CN é de colaboração. Este sentimento, entretanto, não pode ser confundido com submissão ou omissão do parlamento”, disse.

FILME DE TERROR

Da coordenação política do governo, da qual participam os ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil), Miguel Rossetto (Secretaria-Geral), Eliseu Padilha (Aviação Civil), Aldo Rebelo (Ciência e Tecnologia), Jaques Wagner (Defesa) e Eduardo Braga (Minas e Energia). Além deles, costumam ser chamados ao Planalto os líderes do governo no Congresso Nacional, o deputado José Guimarães (PT-CE) e os senadores José Pimentel (PT-CE) e Delcídio do Amaral (PT-MS). O pronunciamento de Renan Calheiros, transmitido pela TV-Senado, e o rompimento de Eduardo Cunha com o governo ocuparam a maior parte das discussões durante a reunião desta segunda-feira, dia 20.
No pronunciamento do presidente do Senado chamou a atenção dos ministros e da presidente Dilma o trecho em que Renan considera o ajuste fiscal “um filme de terror sem fim” e pediu ao governo “uma luz indicando que o horror terá fim. O país pede isso todos os dias”.
“Os resultados do ajuste são modestos, muito aquém do prometido. No presidencialismo o Congresso não pode recusar sempre as ferramentas que o Chefe do Governo diz serem imprescindíveis para fazer face à crise. O dever do CN é colocar alternativas para melhorar a vida das pessoas. Agora, caberá ao CN cobrar resultados. Reitero o que disse em várias oportunidades sobre o ajuste, ele é insuficiente, tacanho, até aqui quem pagou a conta foi o andar de baixo. Esse ajuste sem crescimento econômico é cachorro correndo atrás do rabo, circular e irracional e não sai do lugar, é enxugar gelo até ele derreter. É preciso cortar, cortar ministérios, cortar cargos comissionados, enxugar a máquina pública, fazer a reforma do estado e ultrapassar de uma vez por todas essa prática superada da boquinha e do apadrinhamento”, disse Renan.
Renan Calheiros destacou o papel do Congresso Nacional, que definiu como sendo “majoritariamente refratário em aprovar novos tributos ou aumentar impostos”. Em sua visão, “a sociedade já está no seu limite suportável, no limite suportável da sua contribuição com o aumento de impostos, tarifaços, inflação e juros”.
– Não vamos concordar com asasfixia da sociedade, enquanto o governo continuar perdulário e não alterar sua postura diante da cobrança para reduzir gastos. Estamos num momento aterrador de inflação, desemprego e juros acima de dois dígitos. Uma retração na economia que vai agravar o desemprego. Enfim, o ajuste fiscal está mesmo se revelando como um desajuste social. Por quê? Porque o ajuste é um fim em si mesmo, ele nem aponta, nem sinaliza, nem sugere como e quando o país voltará a crescer. Ele verdadeiramente ameaça as conquistas sócio-econômicas obtidas com tanto sacrifício – enfatizou.

PADILHA PEDE HUMILDADE

Se o objetivo de Renan Calheiros foi o de chamar a atenção para os riscos que a crise econômica representa para a estabilidade social e política ele conseguiu. O tom de suas críticas consumiu a maior parte da reunião. O ministro da Aviação Civil, Elizeu Padilha, numa posição moderada, defendeu a posição de Renan Calheiros. Para Padilha, o Planalto precisa ter “humildade para acolher as críticas” e “ver até que ponto deve ou não rever posições”.
“Aliados não estão proibidos de fazer críticas e o governo tem que ter humildade e sensibilidade para acolhê-las, analisá-las e dialogar com esse parceiro que critica determinadas posições. Nós temos que dialogar com ele [Renan] e, na medida do possível, ver até que ponto o governo deve ou não rever posições que foram por ele apontadas como equivocadas”, afirmou Padilha.
A leitura que o governo fez do pronunciamento de Renan não é de rompimento como fez o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, na sexta-feira, dia 17. Os ministros defenderam na reunião a necessidade do governo tentar afinar o diálogo com o presidente do Senado. “Afinal, disse Jacques Wagner, a posição do presidente do Sena foi de um aliado colocando seu ponto de vista”.

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