Congresso critica possível aumento no IR 

Após declarações do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, colocando o aumento nas alíquotas do Imposto de Renda como uma possível realidade em busca do equilíbrio das contas federais, os presidentes do Senado e da Câmara, Renan Calheiros (PMDB-AL) e Eduardo Cunha (PMDB-RJ) respectivamente, deram sinais de que a ideia não tem o apoio do Congresso.

Na tarde desta terça-feira, o presidente do Senado, Renan Calheiros, foi incisivo e destacou que “a primeira coisa a se fazer é cortar despesa”. De acordo com ele, no Congresso, “não se discutiu nada com relação à elevação da carga tributária”. E completou: “continuo achando que primeiro é preciso cortar despesas, reduzir ministérios. Esse é o dever de casa e, em seguida, discute-se o que fazer com déficit fiscal”.

Mais tarde, foi a vez do presidente da Câmara, o deputado Eduardo Cunha, criticar as afirmações de Levy. Ele argumentou que o possível aumento do IR não resolverá o rombo nas contas públicas. “Sou radicalmente contra qualquer aumento de impostos. Não é pela via do aumento de impostos que vamos resolver o problema da conta”, disse. Ele afirmou ainda será oposição a qualquer aumento de imposto. “Acho que a solução se dá pelo corte de despesa”, ressaltou.

Afirmações de Levy

No início da tarde desta terça-feira (8), em Paris, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou que um aumento no Imposto de Renda é uma possibilidade a ser avaliada. “A gente [o Brasil] tem menos impostos sobre a renda, sobre da pessoa física, do que a maior parte dos países da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico]. É uma coisa para a gente pensar”, apontou.

Para ele, este pode ser um caminho na tentativa de equilibrar as contas públicas. “Pode ser um caminho [aumento do imposto de renda]. Essa é que é a discussão que estamos tendo agora e que acho que tem de amadurecer mais rapidamente no Congresso”, completou o ministro.

Repercussão

Além dos presidentes do Senado e da Câmara, outros senadores e parlamentares criticaram a possibilidade anunciada pelo ministro da Fazenda. “É sinal de desespero querer aumentar impostos. Ninguém se entende mais no governo, que está esfacelado politicamente e sem apoio popular”, disse o líder do DEM no Senado, senador Ronaldo Caiado (GO).

Já na Câmara, foi o líder do PSD, Rogério Rosso (DF), que estranhou a afirmação de Levy. Para ele, “fica difícil defender o governo” diante das propostas de aumento na carga tributária e a ideia não terá apoio no Congresso Nacional.

“O país passa por uma situação delicada, tanto do ponto de vista político quanto econômico, mas não pode ser solução aumentar a carga tributária. O brasileiro já trabalha quatro meses por ano para pagar impostos. O que queremos são medidas para aumentar a produtividade e competitividade. O Congresso vai reagir negativamente a qualquer aumento de tributos”, garantiu.

Histórico

Os debates acerca das soluções para a economia brasileira começaram após o Governo Federal entre o Orçamento de 2016 ao Congresso Nacional com previsão de déficit de R$ 30,5 bilhões. Esta é a primeira vez na história do país em que previsão tem gastos maiores do que as receitas.

Carla Machado

Carla Machado

Jornalista com experiência em assessoria de imprensa, onde trabalhou na produção de conteúdo interno e externo e no atendimento à imprensa, e em jornal, revista e site, nos quais foi repórter. No dia 22 de maio de 2014, recebeu o prêmio Paulo Octavio de Jornalismo, pela categoria Melhor Série de Reportagem, com a série #Brasíliaquerandar, do Jornal de Brasília.

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