Produção industrial do Brasil cai 8,9%

A produção industrial brasileira, mais uma vez, revela sinais de queda. Em julho, na comparação com o mês anterior, o setor fabril recuou 1,5%. O dado é do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado nesta quarta-feira (2). A baixa é a maior registrada desde dezembro do ano passado.

“Essa queda de 1,5% é uma queda importante. Bate em dezembro do ano passado, que tinha sido 1,8%. E por categorias econômicas, há importância nas quedas de bens semiduráveis não duráveis (-3,4%). O resultado de julho para essa categoria elimina o avanço que essa categoria tinha tido nos dois meses anteriores”, esclarece o gerente de Indústria do IBGE, Andre Luiz Macedo.

Se comparada a julho do ano passado, a queda foi ainda maior, de 8,9%. Naquele mês, a redução foi de 10%. Em todo o ano, de janeiro a julho, a indústria registra queda de 6,6% e, em 12 meses, de 5,3%.

“O resultado desse mês faz com que o total da indústria não só se distancie do ponto mais elevado da série histórica – 14,1%, alcançado em junho de 2013 – , mas faz com que o setor industrial opere em níveis de 2009. Em termos de patamar, está próximo de maio de 2009, de um período onde a indústria vinha buscando se recuperar, após 2008”, diz ainda Macedo.

Para ele, a queda é explicada pela falta de perspectiva dos empresários e dos consumidores, afetando, assim, investimentos e consumo.

“Seja porque tem mercado de trabalho funcionando em ritmo menor, aumento da taxa de desemprego, massa de salário funcionado de forma mais lenta, aumento do nível de preços. Isso tudo afeta claramente o consumo das famílias, além da própria questão do crédito”, completa.

Indústria alimentícia

Os resultados negativos ficaram mais evidentes nos produtos alimentícios (-6,2%), atividades de bebidas (-6,2%), produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-1,7%) e de indústrias extrativas (-1,5%).
“Além do açúcar, que tem impacto importante no setor de alimentos, a gente observa pontualmente reflexos negativos vindos do complexo de carnes, seja bovinos ou aves, e parte do suco de laranja também tendo queda. Quando olho 2015, há um comportamento positivo no setor de alimentos, mas olhando na margem, tem comportamento negativo na passagem de junho para julho”, avalia Macedo.

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Carla Machado

Carla Machado

Jornalista com experiência em assessoria de imprensa, onde trabalhou na produção de conteúdo interno e externo e no atendimento à imprensa, e em jornal, revista e site, nos quais foi repórter. No dia 22 de maio de 2014, recebeu o prêmio Paulo Octavio de Jornalismo, pela categoria Melhor Série de Reportagem, com a série #Brasíliaquerandar, do Jornal de Brasília.