Planejamento coloca como prioridade para 2019 a resolução do desafio fiscal brasileiro

Independentemente de quem assumir, é preciso ter clareza da necessidade de resolver o desafio fiscal”.

Este é o recado para o próximo presidente da República do secretário de Planejamento e Assuntos Econômicos do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, Julio Alexandre. O gestor fez o alerta na quarta-feira, 4, durante a abertura do Seminário Cenários Macroeconômicos para o Período de 2019 a 2031, promovido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada –Ipea, no Rio de Janeiro/RJ.

De acordo com o secretário, sem essa premissa, não há como o país mudar a trajetória de déficits sucessivos que têm sido acumulados desde 2014. Segundo Julio Alexandre, o Brasil precisa rever suas prioridades de gastos, o que poderia ocorrer com a Estratégia Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, documento que tem o objetivo de traçar diretrizes para o crescimento do país em longo prazo e está disponível para consulta pública. Para o representante do Planejamento, há necessidade de aprovação de reformas que possibilitem ao país voltar a crescer.

Durante o evento, o diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea, José Ronaldo Souza Júnior, enfatizou que todas as nações desenvolvidas avançaram muito nas últimas décadas no aumento da produtividade. Em comparação, José Ronaldo informou que entre 1980 e 2016 a produtividade no Brasil cresceu praticamente zero.

“Não tivemos esse foco, mas precisamos mudar essa equação”, observou. Para buscar o cenário de crescimento transformador, o diretor do Ipea ressaltou a necessidade de reformas fiscais, de crescimento mais expressivo da escolaridade e de amplas reformas microeconômicas.

Com essas ações, é possível ao Brasil almejar um crescimento médio do PIB de 3,9%, entre os anos de 2020 e 2031.

De acordo com o advogado e professor de Direito Jorge Ulisses Jacoby Fernandes, em um passado recente, no Brasil, todos os problemas econômicos eram “resolvidos” com base na escola que pregava o aumento de impostos ou o descontrole inflacionário.

“O resultado disso era um imenso caos econômico, com desemprego, falências empresariais e uma retração severa da economia. Hoje em dia, a sociedade brasileira não aceita mais essas “soluções mágicas””, destaca.

Conforme o professor, o desafio deste e do próximo governante é promover as reformas necessárias para recolocar o país nos eixos.

“Isto precisa ser feito de forma democrática, buscando sempre o consenso entre todos os atores envolvidos, mas sem se furtar dos debates e embates naturais que surgem em qualquer revolução que se pretenda fazer. A sociedade tem um papel fundamental nesta questão: seja compreendendo e apoiando a necessidade das mudanças, seja fiscalizando a postura dos seus representantes democraticamente eleitos”, alerta Jacoby Fernandes.

Pesquisas de clima econômico

Em abril, a PwC divulgou os resultados da pesquisa Global Consumer Insights Survey, realizada no Brasil desde 2012. Um dos temas abordados pela pesquisa foi o otimismo do brasileiro em relação à economia. Dos entrevistados, 49% esperam melhorias no cenário econômico em relação a 2017 e 28% acreditam que o panorama permanecerá igual. No entanto, o Brasil se destaca por ser o país com maior preocupação sobre a recessão econômica – 83% dos entrevistados. Ainda assim, 71% esperam aumentar as despesas com compras nos próximos 12 meses: 15% acreditam que vão gastar muito mais, 33% esperam gastar um pouco mais e 23% esperam gastar quase o mesmo valor.

Em fevereiro deste ano, a Fundação Getúlio Vargas – FGV publicou o resultado do Indicador de Clima Econômico da América Latina – ICE, que registrou 1,5 ponto no levantamento feito em janeiro. O resultado foi o primeiro positivo em 18 trimestres, e também mostrou o maior saldo desde abril de 2013. O ICE é calculado entre menos 100 e 100. Os melhores resultados foram observados no Paraguai, com 37,2 pontos; na Argentina, com 28,2, e no Chile, com 26,3. Já os países com os piores climas econômicos são Venezuela, com menos 100 pontos; Equador, com menos 30,3; e México, com menos 26,8. O Brasil registrou 4,3 pontos. Ao todo, 11 países foram analisados.

Trata-se de uma pesquisa trimestral realizada pela FGV sempre nos meses de janeiro, abril, julho e outubro. Ela se baseia em informações prestadas por especialistas econômicos e é voltada para o monitoramento e antecipação de tendências econômicas. A pesquisa leva em conta diversas variáveis como consumo, investimentos, taxas de juros, inflação, taxa de câmbio, etc. A mesma metodologia é aplicada simultaneamente nos diferentes países da América Latina.

Conforme a pesquisa, o clima econômico positivo da América Latina ainda é tímido se comparado com o cenário internacional, que mostra tendência ascendente há dois anos.

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Redação Brasil News

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