Sexta-feira Santa – A paixão de Cristo

Baseada na minissérie de sucesso, assistida por mais de 100 milhões de pessoas “A Bíblia – a história de Deus e de todos nós”

Jerusálem estava dominada pelos romanos, que tolerava os judeus, desde que não perturbassem a ordem. O sumo-sacerdote escolhido pelos romanos para exercer o domínio dos judeus em Jerusálem chamava-se Caifás.

Caifás era um político, manipulador e sagaz. Ficou no cargo por 18 anos em obediência ao povo romano, sem muito se importar com o seu próprio povo.

Jesus, que havia chegado no domingo em Jerusálem, parecia uma ameça constante. Caifás temia que Pôncio Pilatos, o prefeito romano da Judéia, o destitui-se de seu cargo de sumo-sacerdote por não conseguir conter os judeus, que estavam maravilhados com os dons de Jesus Cristo.

Os judeus haviam recebido Jesus Cristo aos gritos de Hosana, que quer dizer “salve-me” e os romanos passaram a observar cada movimento dele. Sempre preparados para sufocar qualquer sinal de dissidência política, os romanos se perguntam se Jesus não faria parte de uma conspiração contra o domínio de Roma.

Jesus ao entrar em Jerusálem foi visitar o Templo e achou o grande pátio dominando por todo o tipo de atividade humana. Cordeiros, pombas e bodes à venda, sons, cheiros e barulho de multidão. O auge da Páscoa é o sacrifício de animais. Peregrinos trocam dinheiro por moeda local, pagam impostos para agiotas romanos.

Os discípulos de Jesus começam a ficar aflitos, temendo a reação de Cristo com a tamanha bagunça na casa de Deus. Jesus demonstra uma tristeza profunda, vê um idosos sendo enxotado do Templo por um agiota irritado, uma família pobre tentando comprar um cordeiro, mas cujas economias permitem apenas pombos, senhoras sendo empurradas, crianças chorando. O tumulto impossibilita qualquer vestígio de oração naquele lugar. Jesus se enche de indignação.

Jesus se aproxima da barraca mais próxima de agiotagem, agarra uma das mesas com as duas mãos, virando-a de cabeça para baixo. Vai para a próxima e faz o mesmo e assim por diante, criando o caos. As pessoas tentam desesperadamente catar o dinheiro derrubado ao chão.

– O que está fazendo? – grita uma cambista.

– Mestre! – implora Judas, apanhando algumas das moedas.

Jesus continua e ninguém consegue impedi-lo, liberta os pombos das gaiolas.

Um grupo de soldados romanos entram no Templo e se enfileiram como tropa de choque na frente de Jesus.

– Jesus! Por favor! – implora Judas Iscariotes. Judas começa a demostrar sua fraqueza e seu temos em ser jogado na prisão.

Um vendedor inconsalado por ver todo o seu lucro no chão, interpele Jesus: Por que faz isto?

– Não está escrito? responde Jesus.

E o pátio fica em silêncio esperando Jesus prosseguir.

– Minha casa… Minha casa deve ser chamada de casa de oração e vocês a trasformaram em um covil de ladrões.

Os discípulos Pedro e João tentam conter os mercadores mais furiosos que querem atacar Jesus.

Jesus que já havia cumprido sua função deixa o Templo. Jesus não demonstra medo ao passar pela fileira de soldados romanos diante da estrada, seus escudos a postos para qualquer sinal de tumulto. Uma multidão segue em apoio a Jesus, encantadas com sua presença.

As atitudes de Jesus no Templo assustaram Caifás. Caifás passa observar mais atento a saída de Jesus e vê a aflição e o medo de Judas Iscariotes. Caifás parece ter descoberto uma maneira de se livrar de Jesus.

Jesus conduz uma legião de novos seguidores, vira-se para o Templo, já do lado de fora, e diz: – Estão vendo esse grande edifício? Ele será reduzido a escombros.

Um ancião judeu o interpela:

– Quem é você para dizer uma coisa desta?

Jesus responde:

– Destruam este Templo e eu o reerguerei em três dias.

E é João quem explica: Jesus está dizendo que não precisamos de um templo de pedra para prestarmos adoração. É através dele que iremos chegar a Deus.

O prefeito romano almoçava com sua esposa Claudia em sua residência em Jerusálem, alheio aos acontecimentos, quando Antonio, seu principal comandante militar os interrompe.

– Estamos almoçando – repreende Pilatos.

– Desculpa incomodar. Mas um judeu vem causando problema no Templo.

– Só por isso você vem interromper minha refeição?

– É que ele destruiu o trabalho dos cambistas e ameaçou acabar com o Templo.

Pilatos não leva à sério.

– Ele tem uma quantidade muito grande seguidores.

Pilatos passa a se preocupar.

– Como é o nome dele?

– Jesus de Nazaré.

Claudia, a esposa de Pilatos, interrompe: – já ouvi falar dele.

Pilatos fica intrigado com a reação da esposa e sentencia:

– Este homem é problema de Caifás e não meu. Mas acompanhem os que os seguem. Se criarem desordem, fechem o Templo antes da Páscoa.

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Caifás reune os sumos sacerdotes e um grupo seleto de anciãos para decidir o que fariam com Jesus.

– Devemos agir rápido e com cautela. Não podemos detê-lo em público para que seus seguidores não se rebelem e Pôncio Pilatos queira nos retaliar. Vamos prendê-lo na calada da noite. Antes da Páscoa. Vamos trazer aquele discípulo medroso aqui.

– Judas? perguntou Malco, servo de Caifás.

– Isso, Judas. Traga-o aqui. Discretamente.

Jesus e seus discípulos estavam no Monte das Oliveiras, cercados de peregrinos e Pedro tenta reunir os doze para um debate, mas não consegue achar Judas.

– Alguém viu Judas? – pergunta Pedro.

Todos negam. Pedro vê um homem encapuzado e pergunta: Judas é você? Quando tira o capuz, o homem era Nicodemos, membro do Sinédrio de Caifás e fariseu, que tinha ido até ali ver Jesus de perto. Ao ser descoberto, Nicodemos fica tenso.

– Seja bem-vindo – diz Jesus de forma calorosa.

O ancião está claramente perturbado, sem saber como explicar sua presença. A simpatia de Jesus o acolhe e ele se junta aos outros diante do fogo.

– Dizem que você é capaz de realizar milagres. Que viu o Reino de Deus – diz Nicodemos.

– Você também pode ver o Reino de Deus – diz Jesus – Mas para tanto precisa renascer. Mas não da carne, e sim da água e do espírito.

Nicodemos fica dividido: será ele o Messias ou um louco?

Jesus continua: – todos os que praticam o mal odeiam a luz, pois temem que seu atos sejam por ela revelados. Mas os que praticam a verdade vêm ao encontro da luz.

Nicodemos se sente invadido por uma grande paz.

Judas chega ao encontro de Caifás. O discípulo é conduzido até os aposentados particulares do sumo sacerdote.

– Por que segue aquele homem?

– Não posso explicar Jesus para o senhor. Ele tem poder. É difícil colocar em palavras.

– Poder de promover tumulto e de criar problemas?

– Ele diz coisas… coisas que outras pessoas não ousam sequer pensar, quanto mais dizer.

– Como destruir o Templo?

– Judas, duvido que seu amigo saiba onde isso pode chegar. Se os romanos intervierem, o massacre será inimaginável. Será o fim do nosso Templo e da nossa fé. É isso que você quer? Sua ajuda é muito importante. Só um amigo poderia trazê-lo aqui. Ajude-me, Judas, Ajude seu amigo. Salve-o de si mesmo antes que seja tarde demais.

– E seu fizer o que me pede? O que ganharei com isso?

Caifás entrega a Judas uma pequena bolsa.

– Eu aceito – diz Judas, e as moedas de prata retinem dentro dela.

Caifás está parado em seu palácio na companhia de Nicodemos. O sumo sacerdote sereno e Nicodemos aflito. A lei determina que qualquer homem deve ser julgado à luz do dia, mas está claro que Caifás quer condenar Jesus ainda naquela noite.

– Judas irá trazer Jesus antes do amanhecer – diz Caifás.

– Mas isso é contra lei – rebate Nicodemos.

– Sua lei permite rebelião? retruca Caifás.

Judas chega correndo.

– Onde está ele – pergunta Caifás.

– Não sei, mas sei onde está indo.

Caifás ordena que ser servo Malco o siga.

Judas segue na companhia de Malco e dez homens armados com porretes e espadas.

– Para onde estamos indo? – pergunta Malco.

– Para o jardim de Getsêmani – responde Judas.

O jardim de Getsêmani está deserto, com exceção de Jesus e seus discípulos. Jesus sabe que o momento de deixar este mundo se aproxima. Jesus sobe a colina para ficar sozinho com o seu Pai e faz a seguinte prece:

– Pai, se o Senhor assim desejar, afaste de mim este cálice. Que a Sua vontade seja feita, não a minha, enquanto sua sangue.

Jesus está dilacerado com o medo humano dos espacamentos e da imensa dor que irá sofrer. Jesus ouve o som da turba que se aproxima. E sente que a vontade de Deus está confirmada, e ele é invadido pela determinação. Não pela paz, pois o que está prestes a acontecer não lhe traz serenidade, e sim determinação de seguir os desígnios do Pai.

– A Sua vontade, Pai, é a minha.

Jesus se levanta e fica parado, sozinho, no pomar das oliveiras. De repente, seus discípulos chegam ao topo da colina e o cercam para protegê-lo. Tochas brilham na escuridão, marchando na direção de Jesus.

– É chegada a hora – diz Jesus para todos e para ninguém.

Judas se aproxima de Jesus e lhe dá um beijo no rosto.

Jesus não sente raiva ou desprezo, mas diz ao discípulo:

– Judas, você trai o filho do homem com um beijo?

Pedro tenta defender Jesus com um punhal, mas é interpelado.

– Esta é a vontade de meu Pai, Pedro. É assim que deve ser.

Horrorizado, Pedro observa Jesus ser empurrado para a frente e agarrado por guardas, encapuzado e arrastado dali.

Os discípuos fogem apavorados sabendo que suas vidas também estão em risco. Pedro acompanha sorrateiramente a fileira de tochas para saber onde Jesus está sendo levado.

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A madrugada se estende. Jesus é espancado, nariz quebrado, sangue escorrendo pelo rosto. Corpo ferido, mãos atadas e presas por um grilhão. Os guardas do Templo puxam Jesus por uma corda até Caifás, o sumo sacerdote.

– Cubram-no! Ordena Malco, servo de Caifás, para que seus seguidores não o reconheçam.

Judas segue a procissão até a casa de Caifás, mas é impedido de entrar.

– Não precisamos mais de você, diz Malco.

A porta se fecha e dá-se o encontro entre Jesus e Caifás. O contraste entre os dois é total. Jesus ferido e sujo de sangue, mãos atadas e roupas simples, imundas e rasgadas. Caifás veste túnica sofisticada e colorida.

Nicodemos e demais anciãos chegam ao recinto.

– Você deve interromper isso agora – diz Nicodemos a Caifás.

– Estou fazendo o que é necessário – rebate Caifás.

– Você ouvu o que Pilatos falou, ele fechará o Templo se houver mais problemas. Precisamos nos livrar deste homem, ou Deus irá punir a todos.

– Mas e se ele for o Messias? pergunta Nicodemos.

– Cabe a nós decidir isso, responde Caifás.

– Cabe a Deus decidir isso, rebate Nicodemos.

A atmosfera é de rivalidade. O Sinédrio está reunido e Caifás segue.

– Irmãos – começa a falar Caifás – obrigado por terem vindo até aqui esta hora. Eis o primeiro e único Jesus de Nazaré, diz com ironia.

Jesus permanece calado e de olhos baixos.

– Jesus de Nazaré – entoa Caifás, com o tom de voz solene – você é acusado de blasfêmia. Agora vamos ouvir as testemunhas. Caifás chama a primeira testemunha.

– Foi no Templo – diz o homem. Foi lá que ele curou uma mulher inválida.

Nicodemos não suporta o que está acontecendo, está claro que é uma armadilha de Caifás.

A segunda testemunha grita: ele disse que iria destruir o Templo!

– Eu também ouvi, diz um ancião.

E é o bastante para Caifás: Você pretendia destruir o Templo? Como ousa? Qual sua resposta?

Jesus fica calado e Nicodemos o olha suplicando por uma resposta.

Caifás setencia: Jamais haverá outro profeta tão falso como este!

De repente, uma nova voz se manifesta, é José de Arimatéia:

– Um profeta traz novas palavras. Não é mesmo?

Nicodemos se alivia com algum apoio. Caifás fica embaraçado e vira para Jesus:

– Você é o filho de Deus?

Jesus continua em silêncio.

– Não tem nada a dizer?

Jesus levanta a cabeça fixa seus olhos no de Caifás e diz:

– Vocês verão o filho do homem sentado à direita de Deus e vindo sobre as nuvens do céu.

– Impostor! Blasfemo! A sentença é a morte!

José de Arimatéia e Nicodemos balançam a cabeça.

– Isso está errado, grita José.

Mas Caifás sabe que não pode executar Jesus, pois seus seguidores ficarão enfurecidos e criarão exatamente a revolta que ele quis evitar. Mas os romanos podem fazer tudo. Caifas leva Jesus a Pôncio Pilatos.

– Preciso falar com Pôncio Pilatos.

Pôncio Pilatos está acordando. Sua esposa Claudia, está encharcada de suor. Ele se senta ao lado dela para confortá-la.

– Eu vi um homem, diz Claudia. Em um sonho.

– Conte-me, diz Pilatos.

– Eu vi um homem sendo espancado e morto. Ele era inocente. um homem santo. Um homem bom. Meu amado dê atenção a este sonho. Acredito que seja um alerta.

– E por quê?

– Porque, em meu sonho, é você quem mata este homem.

Pilatos está cuidando de assuntos de Estado em sua residência, quando Caifás é anunciado.

– Governador, precisamos de sua ajuda. Prendemos um criminoso perigoso e condenamos a morte.

– E daí?

– Nós membros do Sinédrio, não podemos fazer isso. Estamos na Páscoa, entende? É contra a lei.

– Então execute-o depois da Páscoa, diz Pilatos.

Caifás insiste e Pilatos pede provas da criminalidade de Jesus.

– Ele violou a lei, dou-lhe minha palavra, responde Caifás.

– É melhor que tenha razão, diz Pilatos. Mostre-me o prisioneiro.

O governador romano entre na cela, retira-lhe o capuz e pergunta: Você é o rei dos Judeus?

Jesus fica calado.

– Dizem que você insiste nisso.

– É isso o que o senhor pensa ou está apenas repetindo o que outros lhe disseram a meu respeito? – responde Jesus com tranquilidade.

– Diga-me, você é um rei?

– Meu reino não pertence a este mundo.

– Então você é um rei.

– O senhor está certo quando diz que eu sou rei. Nasci e vim a este mundo para dar testemunho da verdade. Todos os que são pela verdade ouvem minha voz.

– Que verdade?, pergunta Pilatos.

Jesus fica calado.

Pilatos retorna ao escritório e encontra sua esposa, Claudia.

– E então? pergunta ela.

– Eles querem que eu o crucifique – responde Pilatos.

– Você não pode fazer isso, eu o imploro.

– Por que? ele é apenas um judeu.

– Ouça o que eu digo, meu amor, este é o homem do meu sonho. O homem que eu vi você matar. Por favor, não faça isso. O sangue dele estará nas suas mãos.

– E se eu não fizer? Como vou explicar uma rebelião para Roma? Caifás certamente testemunhá que eu fui o culpado. Será nosso fim.

– Traga-me Caifás, diz Pilatos. Eu tenho um plano.

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Pilatos recebe Caifás e os anciãos com certo desprezo.

– Estive com Jesus e cheguei à conclusão de que ele é culpado apenas por ser mentalmente perturbado, Isso não é crime em Roma.

– Ele desobedeu a lei – protesta Caifás.

– A sua lei – retruca Pilatos, mantendo a calma – Não Não a de César. – O governador encara firme Caifás. – Dê uma lição neste homem. Aplique 39 chibatadas nele e expulse-o da cidade. Esta é a minha sentença.

Isso é tudo? Governador, não posso ser responsabilizado pelo que o nosso povo pode vir a fazer se o senhor libertar um homem que violou nossas leis sagradas. Especialmente no dia de hoje, quando os olhos estão voltados para Deus.

O povo? – responde Pilatos com sarcasmo. Ele sabe o que fazer em seguida, embora Caifás tente assumir o controle da situação. – Segundo a lei de César, eu posso libertar um prisioneiro durante a Páscoa. Deixarei “o povo” decidir qual dos meus detentos deve ser crucificado e qual deve ser libertado.

Caifás sabe que está sendo enganado. Atônito, ele sequer consegue falar.

– Tragam o prisioneiro – ordena Pilatos.

A essa altura, uma multidão está reunida diante dos portões da residência do governador, espiando o pátio vazio através das enormes grades de ferro. A notícia de que Jesus será açoitado já havia chegado até eles. Muitos querem testemunhar a barbaridade pública e se divertir com os procedimentos carnavalescos que acompanham um bom açoitamento.

Jesus é arrastado até o pátio por dois soldados romanos. Seu rosto está sujo de sangue seco, seus olhos estão tão inchados que ele nem consegue abri-los.

Maria, sua mãe, arqueja de horror. A túnica de Jesus é rasgada nas costas, expondo sua carne. Os soldados apanham seus açoites. Uma só chibatada daquelas já era um exercício de agonia, capaz de deixar um homem marcado pelo resto da vida.

– Eles vão matá-lo – sussurra Maria para Maria Madalena, com o coração apertado de dor.

João olha para as mulheres com um ar protetor. Os dois soldados se posicionam um de cada lado de Jesus, prontos para açoitá-lo, revezando-se no trabalho. Um terceiro soldado chega ao pátio trazendo um ábaco para contabilizar os golpes e comunicar a Roma que todos os 39 foram aplicados.

Jesus lança um olhar em direção à sua mãe. A angústia dela é imensa, mas quando os olhos de seu filho cruzam com os seus, ela sente que há um vinculo poderoso entre os dois. É como se ele quisesse tranquilizá-la, lembrando-lhe de que é assim que deve ser.

O açoitamento começa. Jesus não grita, enquanto a multidão se espanta diante da brutalidade. Isaías, o profeta, setecentos anos antes, escrevera que o salvador viria para ser “traspassado por conta de nossas transgressões. Esmagado por conta de nossas iniquidades. E, pelo seu flagelo, seremos curados”.

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Pilatos e Claudia assistem o terrível procedimento. Ela se encolhe a cada chibatada.

– É como se ele soubesse que isso iria acontecer – diz Pilatos, assombrado.

Uma última conta do ábaco desliza da esquerda para a direita. Agora, as 39 chibatadas estão devidamente registradas.

Jesus se agarra ao poste, sua vida por um fio, mais ainda respirando. Quando suas mãos sao desamarradas, em vez de cair ao chão ele se mantém de pé- castigado, mas não vencido.

Então é levado de volta às masmorras. Os guardas, famosos por sua impiedade – sobretudo em relação aos judeus – haviam se mantido ocupados
durante o açoitamento. Jesus é motivo de piada entre eles, que mal podem
esperar para tirar vantagem do fato de ele se autoproclamar rei. Um guarda teve a idéia de usar ramos espinhosos para trançar uma coroa, com espinhos longos despontando de todos os ângulos. Ele então a coloca na cabeça de Jesus, empurrando para baixo com força e arrancando sangue à medida que suas pontas afiadas se enterram na carne.

– Rei dos Judeus! – exclama o soldado, ao fazer uma dança irônica.

Pilatos ordena que os portões do palácio sejam abertos. A multidão entra em enxurrada, sem saber o que vai acontecer. Todos sabem que Pilatos tem permissão para libertar um homem escolhido por eles antes da Páscoa, um dos muitos eventos típicos desse período. Estão curiosos para descobrir quem será libertado. Jesus sem dúvida está fora de cogitação. Ele foi punido e a essa altura já deve estar livre. É assim que funciona a lei. por. tanto, terão que aguardar pacientemente por suas opções.

Pilatos havia se esquivado com maestria da exigência de Caifás de crucificar Jesus, deixando o veredito final a cargo da multidão de peregrinos.

O sumo sacerdote, no entanto, não se dá por vencido. Ele busca se certificar de que os peregrinos admitidos na praça votem contra Jesus. Os judeus do povo não têm chance de opinar sobre a questão. Malco, o servo de Caifás, e os guardas do Templo estão diante dos portões, negando a entrada a qualquer um que apoie o homem de Nazaré. Tumultos começam a surgir quando muitos dos que vieram até ali extravasam sua frustração por não poder entrar. Eles soltam gritos de protesto, que são completamente ignorados pelos soldados romanos que protegem o palácio.

Maria, João e Maria Madalena estão do lado de fora. Só lhes resta observar, incrédulos, enquanto um bando de simpatizantes do sumo sacerdote se prepara para selar o destino de Jesus.

Pôncio Pilatos aparece em uma janela acima do pátio e a multidão cai em silêncio para ouvir o que ele tem a dizer.

Um assassino careca é conduzido até o pátio, seguido por Jesus, que usa a coroa de espinhos.

–        Eu lhes dou a seguinte escolha – diz Pilatos. – Vocês podem optar
entre Barrabás, um assassino, ou este homem… um pregador que afirma ser
o seu rei.

As palavras arrancam risadas e zombarias da multidão. Caifás, agora ao lado de Pilatos, diz:

–        O único rei que temos é César.

Guardas do Templo caminham por entre a multidão, sussurrando instruções para as pessoas, que meneiam afirmativamente a cabeça em resposta.

–        Crucifiquem-no! – gritam espontaneamente alguns dos presentes,
que haviam estado calados até então.

Maria, mãe de Jesus, fica horrorizada. Ela leva as mãos ao rosto, cobrindo a boca de pavor.

Quando vê a expressão no rosto de Caifás, Pilatos sabe que já têm sua resposta.

–        Decidam! – grita ele para a multidão.

arrabás – exclama o povo de volta. – Liberte Barrabás.

Do lado de fora dos portões, Maria, João e Maria Madalena protestam em defesa de Jesus, assim como muitos outros ao seu redor. Mas suas vozes não podem ser ouvidas em meio aos gritos de “Barrabás, Barrabás, Barrabás” que vêm do pátio.

Pilatos está atônito. Ele olha para Caifás, e então torna a fitar a multidão.

– Vocês estão escolhendo um assassino – diz Pilatos enquanto a cabeça. – Libertem-no – ordena para seus guardas.

Perplexos, os soldados abrem com relutâncias as algemas de Barrabás. A multidão vibra; os olhos do assassino brilham de alegria.

– E este infeliz – grita Pilatos para a multidão. – O que devo fazer com ele?

. Crucifique-o! Crucifique-o! Crucifiquei-o!

. Muito bem – diz ele por fim. – Crucifiquem-no.

Pilatos se encaminha até uma bacia d’água próxima e lava suas màos. É um gesto calculado, que reproduz um costume dos hebreus e gregos para demonstrar que a pessoa se isenta de qualquer responsabilidade.

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– 0 sangue deste homem não está em minhas mãos – diz ele, na esperança de se livrar da culpa.

Pilatos sabe que Jesus é inocente e que pode evitar sua morte. Ele tem poder e deveria simplesmente dispersar aquela multidão. Mas, em vez de lutar pela verdade, ele está seguindo o caminho mais fácil da conveniência política. Aquele é um período perigoso em Jerusalém, que abriga mais milhão de judeus e menos de mil soldados romanos. Pilatos não pode se arriscar a uma rebelião daquele tipo, pois ela chegaria aos ouvidos de Roma e de César.

Pilatos seca suas mãos. Aquela crucificação já não é mais problema dele.

Faz seis dias que Jesus recebeu as boas-vindas ao chegar em Jerusálem. Agora, está prestes a ser crucificado em uma colina afastada da cidade, pois a lei judaica não permite execuções dentro dos seus muros. Dois criminosos também serão crucificados no mesmo horário.

A crucificação, que consiste em pregar um homem a uma cruz madeira é o método padrão de pena capital para os romano. é  um castigo desumano O condenado pode levar dias para morrer, pendurado sozinho na cruz até sua vida se esvair. Além dessa morte atroz, Jesus ainda precisa suportar o tormento de arrastar sua cruz pelas ruas de Jerusalém. Ela manqueja, seguido de perto por um guarda montado a cavalo pronto para açoitá-lo se ele cair ou largar a cruz. Muitos daqueles que não tiveram a chance de votar por sua vida o acompanham de longe, forcados a recuar por uma falange de soldados romanos que se certificam de que ninguém o ajude a escapar. Jesus está em agonia enquanto segue a duras penas em direção à morte. O peso da cruz verga seu corpo, enquanto a coroa de espinhos lhe inflige uma nova explosão de dor a cada vez que a cruz se choca contra ela. As muitas surras que levou nas horas que se seguiram à sua captura tornam quase impossível respirar, pois seus carcereiros o chutaram e esmurraram repetidas vezes nas costelas.

Ainda assim, ele vê tudo. Tanto os rostos compassivos, quanto os nem tão compassivos assim na multidão. Também vê Maria, sua mãe. Ele tropeça e sente o estalar de um açoite romano contra seu corpo enquanto cai no chão. Estende o braço para se endireitar, espalmando a mão contra um muro de pedra e deixando uma impressão em sangue. Enquanto Jesus segue em frente para continuar sua impiedosa marcha, uma mulher pousa sua própria mão contra a marca deixada por ele. Ela chora, pois sabe quem Jesus é de verdade.

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O chão é de paralelepípedos, de modo que a cruz segue aos solavancos pelo caminho. A distância entre o palácio de Pilatos e o Gólgota, onde Jesus irá morrer, é de cerca de 500 metros.

Jesus sabe que não conseguirá chegar. Ele cospe um bocado de sangue e cai de joelhos. Larga a cruz e se encolhe no chão. Em um piscar de olhos, os soldados romanos estão sobre ele, desferindo uma saraivada de chutes e socos contra o seu corpo indefeso. Maria corre em direção ao filho para socorrê-lo, mas um guarda romano a agarra com violência, atirando-a para trás.

– Por favor – diz João, arriscando a própria vida ao sair do meio da multidão. – Esta é a mãe dele!

Lágrimas escorrem pela face de Maria. O guarda se aproxima de João com uma carranca ameaçadora no rosto, mas o discípulo não se deixa intimidar.

– Tenha misericórdia. Por favor!

Maria não consegue se conter. Ela se lança para a frente e cai de joelhos para ao lado do filho. Envolve-o em seus braços, e este será o último abraço dos dois. Os olhos de Jesus estão fechados e ele mal consegue reagir.

– Meu filho – soluça Maria.

Jesus se obriga mara abrir os olhos.

– Não tenha medo – diz ele para a mão. – O Senhor está com você.

Jesus repete exatamente as mesmas palavras que o anjo Gabriel disse quando recebeu o convite de engravidar de Jesus. Ela tenta ajudá-lo com a cruz.

Maria é afastada do filho e os soldados açoitam seu corpo caído. Um homem, Simão de Cirene, é escolhido por sua força e suas costas largas e obrigado a carregar a cruz para Jesus. Os dois homens cruzam olhares, então suas mãos se unem para erguer a madeira pesada. Juntos, eles dividem o fardo. Passo a passo, ambos vencem a longa caminhada até o local da crucificação.

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De volta ao seu palácio, Pôncio Pilatos continua a travar sua batalha com Caifás. A lei romana determina que cada condenado tenha uma placa afixada à sua cruz para indicar seu crime. Pilatos dita a mensagem da cruz de Jesus.

– Coloque estas palavras em araimaco, latim e grego – diz ele para um escriba – Jesus de Nazaré – rei dos judeus.

– Ele nunca foi nosso rei – exclama Caifás, que está diante da janela observando a jornada de Jesus em direção ao Gólgota. – Ora, o que deve constar é que ele afirma ser o Rei dos Judes.

– Ele é o rei – corrige Pilatos.

A multidão se disperça à medida que Jesus deixa os muros da cidade para trás. Maria, João e Maria Madalena seguem pela estrada que serpenteia colina acima. Estão ligeraimente fora do campo de visão de Jesus, mas sempre presentes. A coina é conhecida como Gólgota, ou “Lugar da Caveira, pois acredita-se que o esqueleto de Adão esteia enterrado ali.

Uma sufocante nuvem de poeira paira no ar, e Jesus mal consegue respirar. Ele tropeça e é imediatamente açoitado. Levanta-se e tropeça mais uma vez, sentindo no mesmo instante o açoite queimar sua canje.

–        Meu Senhor! – exclama uma mulher, lançando-se em direção à estra
da. Apesar do risco de ser punida pelos guardas, ela usa um pano para lim
par com ternura o rosto de Jesus. Porém, quando insiste que ele beba de um
pequeno copo dágua, o guarda o arranca de suas mãos, atirando-o no chão.

Jesus e Simão de Cirene finalmente chegam ao local da cxudficação. Si-mão larga a cruz pesada e se apressa a sair dali. Jesus, já incapaz de se manter de pé, cai em meio à poeira do chão. Os guardas romanos estão tomando as providências necessárias: desenrolam as cordas e usam as pás para cavar buracos no chão. usados com freqüência para crucificações.

–        Deixem-me vê-lo – balbucia Afaria, sua mãe, tentando se livrar dos
braços de um guarda romano que a impede de se aproximar de Jesus.

Maria Madalena caí de joelhos e começa a orar. A mãe de Jesus se mantém de pé, determinada a manter uma vigília por seu filho. João para ao seu lado, pronto para ampará-la caso ela desfaleça por não suportar a tensão.

Jesus é deitado sobre a cruz. Os guardas estendem seus braços e martelam pregos em suas mãos. Seus pés também são pregados ã cruz, um sobre o outro. O som de seus ossos se partindo ecoa pelo ar, enquanto Jesus geme a cada nova explosão de dor. Apesar de tudo o que havia sofrido naquele dia. o momento mais doloroso é quando os pregos são enterrados em seus pés.

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A placa solicitada por Hiatos é fincada na cruz, Jogo acima da sua cabeça: JESUS DE NAZARÉ REI DOS JUDEUS.

Cordas são amarradas à cruz para erguê-la; uma ponta é presa à nu-dora e a outra a um cavalo, que a puxará até que ela esteia na vertical. Ao estalar de um chicote, os cavalos começam a se mover. Jesus jà não consegue enxergar o céu. Agora, vê toda Jerusalém ao longe esua mãe amorosa vetado por de ao pé da cruz.

Ele mal consegue respirar. Com os braços esticados, é quase impossível sorver o ar. Jesus sabe que irá sufocar. Não são os pregos que acabariam por matá-lo, mas o enfraquecimento gradativo do corpo até ser impossível para os pulmões se expandirem.

A cruz está de pé. Maria chora tomada pela agonia.

– Veio para salvar os outros, mas não consegue salvar a si mesmo, zomba um fariseu.

Jesus ouve tudo.

– Perdoe-os, Pai, eles não sabem o que fazem.

Dois criminosos haviam sido crucificados um de cada lado de Jesus. O primeiro o provoca:

– Você não é Messias? Por que não salva a todos nós?

O segundo criminoso responde:

– Nossa punição é justa. Mas este homem não fez nada errado. Ele se vira para Jesus e fala com brandura; – Lembre-se de mim.

Jesus se volta para ele e diz:

– Eu lhe garanto que hoje você está comigo no Paraíso.

Maria, João e Maria Madalena estão parados ao pé da cruz de Jesus. Ele não se mexe. A tarde já vai pela metade.

 

– Meu Deus! – grita Jesus, de repente. – Meu Deus! Por que me abandonastes? – Este é o primeiro verso do Salmo 22, o lamento do rei Davi em prol dos judeus e um pedido de ajuda. Jesus baixa os olhos para Maria. – Mãe, este é seu filho – diz ele, referindo-se a João, que está parado ao seu lado.

– João – acrescenta ele. – Esta é sua mãe.

Maria se mantém firme, lágrimas silenciosas escorrendo pelo seu rosto. João a envolve com um braço protetor.

Jesus desvia o olhar, consumido pela dor em seu corpo mortal. Ele olha para o céu e um vento forte começa a soprar. O estrondo de uma trovoada se espalha por toda a região.

– Tenho sede – diz Jesus.

Em resposta, um soldado molha uma esponja, espetando-a em uma lança e levando-a até os seus lábios.

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Sentado sozinho na sala em que havia feito sua última ceia com Jesus, menos de 24 horas antes, Pedro ouve o trovão. Seus olhos estão vermelhos por conta do cansaço e das lágrimas, pois ele não consegue se perdoar por ter negado Jesus. O som do trovão o apavora e ele não sabe para onde correr.

 

Piiatos também o escuta de seu palácio, enquanto aguarda o sol se pôr. Cláudia também ouve e está certa de que se trata de um sinal de que seu marido agiu errado ao matar Jesus. Fica furiosa com ele.

Eu lhe disse para não matá-lo – sibila ela ao som da trovoada.

Não é exatamente o primeiro judeu que nós matamos – responde Piiatos. Ele está deitado de bruços em uma bancada, com o tronco nu e uma toalha em volta da cintura enquanto um servo esfrega óleo em suas costas.

Ele era diferente – rebate Cláudia. – Eu lhe disse isso.

Confie em mim – diz Pilatos, encerrando a conversa -, daqui a uma semana ninguém se lembrará dele.

Entorpecido pela dor e quase perdendo a consciência, Jesus ouve o trovão. Nuvens negras tomam o céu e ele sabe que é hora de abandonar este mundo. – Está consumado – diz Jesus em voz alta. – Pai, eu entrego meu espírito em Suas mãos.

Um raio cai do céu. Este feixe de energia explode sobre Jerusalém. No lemplo, a grande cortina é rasgada em duas e a multidão em pânico foge s pressas, deixando para trás os animais que haviam comprado com tanta dificuldade para o sacrifício.

Maria, mãe de Jesus, sabe que este é o sinal de que seu filho morreu. Ela o encara com total serenidade. Toda a dor que vinha sentido desapareceu, substituída pela paz de saber que o sofrimento de seu filho estava acabado.

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Aterrorizados, os guardas romanos acreditam que o trovão seja um presságio, de modo que se apressam a quebras as pernas dos crucificados para que possam remover seus corpos antes da Páscoa. Apanham bastões de metal e começam a brandi-los com força contra os dois criminosos que ladeiam Jesus. Só então é que notam que Jesus está morto. Por via das dúvidas, o comandante romano perfura um dos lados do seu corpo com uma lança.

– Ele está morto – confirma o comandante, puxando a lança de volta. Ele olha para Maria. Então, volta a fitar Jesus e diz: – Este homem certamente era o Filho de Deus.

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Redação Brasil News

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