Imagem de menino sírio encontrado morto após tentativa de travessia choca o mundo

A guerra na Síria está destruindo não só o patrimônio cultural do país como causando milhares de mortes. Nesta semana, as imagens de uma menino morto numa praia da Turquia chocaram o mundo e viraram símbolo da crise migratória. Desesperados, habitantes do Oriente Médio e da África acabam colocando suas vidas em risco em busca da possibilidade de uma vida melhor, sem conflitos ou extrema pobreza, na Europa.

A foto do menino virou um dos assuntos mais comentados no Twitter. E não seria para menos: o corpo franzino de Aylan Kurdi foi encontrado em uma praia, na Turquia. Ele tinha apenas três anos. Sua mãe, Rehan, de 35 anos, e seu irmão, Galip, de cinco anos, também morreram durante uma tentativa de travessia para chegar à Grécia. Pelo menos nove pessoas morreram , segundo a agência AFP, no naufrágio de duas embarcações que haviam saído de Bodrum.

Em declarações à imprensa do Canadá na noite de quarta-feira, parentes do pequeno Aylan Kurdi afirmaram ter recebido uma ligação de Abdullah, pai do menino, contando que sua mulher e os filhos estavam mortos. Agora, teria dito o homem, “só queria voltar à sua cidade natal de Kobani e enterrar sua família”. A cidade atacada em intensos combates no início deste ano entre o Estado Islâmico (EI) e militantes curdos.

A imagem do menino, que morreu com a esperança de um mundo melhor, tocou não só os olhos, mas os corações de milhares de pessoas. A travessia do Mediterrâneo é feita em botes ou em navios superlotados, sem qualquer tipo de aparato que possa garantir a segurança. Para os traficantes de refugiados, no entanto, o desespero é promissor: a viagem pode custar mais de R$ 10 mil por pessoa. Ou seja, uma única embarcação pode arrecadar nada menos do que US$ 1 milhão.

“Se estas imagens com poder extraordinário de uma criança síria morta levada a uma praia não mudarem as atitudes da Europa com relação aos refugiados, o que mudará?”, critica o jornal britânico Independent. As fotos são “um forte lembrete de que, enquanto os líderes europeus progressivamente tentam impedir refugiados e imigrantes de se acomodarem no continente, mais e mais refugiados estão morrendo em seu seu desespero para escapar da perseguição e alcançar a segurança”, diz ainda o texto.

Outros jornais também fizeram da imagem uma lembrança, que jamais pode ser esquecida, da realidade cruel em que vivem os refugiados do Mediterrâneo. De acordo com o The Guardian, as fotos levaram para as casas das pessoas “todo o horror da tragédia humana que vem acontecendo no litoral da Europa”.

Histórico

Para a Anistia Internacional e a Comissão Europeia, o mundo enfrenta, hoje, a pior crise de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial. Até agora, mais de 350 mil imigrantes atravessaram o Mediterrâneo. Junto a isso, somam-se os corpos de mais de 2,6 mil pessoas que morreram no mar tentando chegar à Europa. Os dados são da Organização Internacional para as Migrações (OIM). Aproximadamente 220 mil chegaram à Grécia e 115 mil, à Itália. Mais de 2 mil chegaram à Espanha e uma centena a Malta.

Europeus acolhem refugiados

A situação dos refugiados têm mexido com a bondade dos europeus. A maioria tem oferecido suas próprias casas para abrigar os estrangeiros. Na Islândia, a escritora Bryndis Bjorgvinsdottir criou um grupo no Facebook e pediu às pessoas que pudessem colaborar, que acolhessem os refugiados. O resultado do apelo: mais de 11 mil famílias responderam e ofereceram seus lares aos sírios, de acordo com o jornal The Independent.

Na carta, a escritora ressaltou que os imigrantes representam “recursos humanos” com experiência e habilidades que poderiam ajudar a todos os islandeses. “Eles são os nossos futuros cônjuges, melhores amigos, a próxima alma gêmea, um baterista para a banda dos nossos filhos, o próximo colega”, afirmou.

Espanha

Na Espanha, Barcelona foi a primeira cidade a promover um cadastro famílias que querem acolher os migrantes. Madrid e Malhorca também falaram sobre a intenção de se oferecer para ajudar.

Alemanha

De acordo com a BBC Brasil, na Alemanha, a sociedade civil e o governo têm buscado novas formas de abrigar imigrantes. Entre as ideias, surgiu um site, parecido com o famoso Airbnb, que, em vez de turistas, é voltado a quem está se refugiando no país.

O Flüchtlinge Willkommen – “Bem-vindos, Refugiados”, em alemão – , já intermediou o aluguel de 80 quartos na Alemanha e recebeu aproximadamente 1,5 mil ofertas de pessoas podem abrir refugiados.

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Carla Machado

Carla Machado

Jornalista com experiência em assessoria de imprensa, onde trabalhou na produção de conteúdo interno e externo e no atendimento à imprensa, e em jornal, revista e site, nos quais foi repórter. No dia 22 de maio de 2014, recebeu o prêmio Paulo Octavio de Jornalismo, pela categoria Melhor Série de Reportagem, com a série #Brasíliaquerandar, do Jornal de Brasília.