Roberta Luchsinger: uma mulher que promove grandes mudanças

Roberta Luchsinger carrega no sangue a vontade de construir um mundo mais justo e solidário. Desde criança, quando morava em Miraí (MG), ela vê a mãe engajada em projetos sociais. “Minha mãe sempre foi uma pessoa assistencialista, empenhada em ajudar a todos à sua volta”, conta a ativista social. E não é apenas da mãe que vem a inspiração de Roberta Luchsinger: segundo ela, a tia, Bárbara Luchsinger, também deixou um legado de boas ações, uma delas em Búzios, em uma creche que atende gratuitamente, em tempo integral, centenas de crianças carentes, com alimentação nutricional e atividades de esporte e cultura.

E foi a partir dessas, e também outras pessoas inspiradoras, que Roberta Luchsinger se tornou uma das maiores ativistas sociais do Brasil com grandes projetos. Hoje, suas principais bandeiras são a educação alimentar nas escolas, a saúde da mulher e a luta pelo fim da pobreza menstrual. “Sempre fui muito inquieta com as injustiças sociais. E tenho dedicado, há mais de dez anos, tempo e força para mudar algumas realidades. E vejo ser possível. Quando a gente cria um projeto, foca e une pessoas em torno daquilo, muitas vidas são tocadas”, diz a ativista social.

Roberta Luchsinger : “Dar suporte para o desenvolvimento social”

Há alguns anos, conta Roberta Luchsinger, começou seu primeiro projeto social, em São Paulo, onde vive hoje, nas comunidades mais simples da região. “A minha lógica sempre foi de que apoiar a geração de oportunidade é dar suporte para o desenvolvimento social. E foi assim que pensei lá atrás, quando criei um projeto de alimentação nas escolas. Na época, fiz gastronomia porque vi que a alimentação das famílias mais vulneráveis era imensamente desregular. E a maioria das crianças só tinha oportunidade de se alimentar bem no ambiente escolar”, explica.

Para Roberta Luchsinger, a alimentação saudável está diretamente ligada à prevenção de doenças: um dos preceitos do Sistema Único de Saúde (SUS). Portanto, lembra, “se a gente começasse a oferecer qualidade nutricional nas escolas, a gente estaria investindo em saúde, em prevenção”. O projeto incluía ainda a capacitação das merendeiras e das mães dos alunos. “O projeto era muito bem amarrado. Porque montamos uma cozinha laboratório, onde capacitava essas mulheres para a educação nutricional, e minha ideia era que elas poderiam ser contratadas depois com esse conhecimento. Não apenas participar do projeto, mas também oferecer um algo a mais ao mercado de trabalho”.

Um dos maiores desafios do País é acabar com a cultura da violência doméstica.

Roberta Luchsinger aponta que, hoje, um dos maiores desafios do País é acabar com a cultura da violência doméstica. E, para ela, isso passa, necessariamente, pela qualificação de mulheres para o mercado de trabalho. “Quando era estudante de Direito, trabalhei no MP, e ficava muito impressionada com a quantidade de mulheres que desistiam das denúncias no meio do processo. Algumas chegavam até ainda machucadas. Mas, desistiam. Com o tempo, percebi que isso era resultado do fato único de dependerem economicamente do agressor. Isso era um impedimento para que elas saíssem daquela situação”, conta Roberta Luchsinger.

Por isso, agora, um dos grandes planos de Roberta Luchsinger é levar às mulheres em situação de vulnerabilidade social oportunidades para que tenham renda, acesso à saúde e, ao mesmo passo, qualidade de vida para seus filhos. “As escolas públicas podem se tornar grandes núcleos de integração entre família, saúde e comunidade. Em um dos meus projetos mais recentes, a gente criou uma espécie de consultório virtual nos colégios, com apoio da telemedicina, e descobrimos que 70% das crianças atendidas tinham problemas de visão. E por que na escola? Muitas vezes, as mães, as famílias, não têm sequer dinheiro para pagar o transporte público que os levaria até o hospital, por exemplo”.

Roberta Luchsinger assegura ser possível unir diversos eixos sociais no ambiente escolar

Diante da experiência, Roberta Luchsinger assegura ser possível unir diversos eixos sociais no ambiente escolar com a distribuição de absorventes. “A pobreza menstrual é uma das minhas pautas há muitos anos. As mulheres mais pobres não têm absorvente. Elas não têm de onde tirar dinheiro para comprar. É simples assim. As pessoas de baixa renda não priorizam itens de higiene pessoal. Por um único motivo: elas precisam comer. Então, o dinheiro que chega vai direto para comprar alimento”, salienta a ativista social.

Para Roberta Luchsinger, a pobreza menstrual é um problema de saúde pública. “Essa é uma questão que afeta a saúde física e mental das mulheres. É responsável também pela evasão escolar, das meninas que sofrem constrangimento sem absorvente. E, infelizmente, isso é absurdamente ignorado pelo atual presidente do Brasil. A ONU considera o acesso à higiene menstrual um direito a ser tratado como questão de saúde pública. As mulheres morrem por choque tóxico, usando outras diversas coisas para conter a menstruação. Isso é desumano”, diz Roberta Luchsinger. “Então, eu venho sempre tentando ampliar esse debate. Para mim, ele é uma das prioridades no que diz respeito à saúde da mulher”, acrescenta.

Ainda sobre seus projetos, Roberta Luchsinger confessa que pretende ampliá-los, contando com outras forças que têm, também, o objetivo de mudar a realidade da maioria dos brasileiros. “Eu sei que é possível. Eu vejo que é possível. E se eu sei que é possível fazer muito mais, por que vou ficar parada? Não. Vou atrás. Vou atrás da mudança. Eu não paro. Estou sempre pensando em maneiras de levar aos que mais precisam uma vida mais digna. Esse é meu objetivo e temos muito trabalho pela frente”, destaca. “O Brasil precisa, urgentemente, de pessoas realmente preocupadas com a transformação”, completa.

Redação Brasil News

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