A Ressureição de Cristo, contada como você nunca viu

Trecho retirado do livro Bíblia – a história de Deus e de todos nós – baseado na minissérie assistida por mais de cem milhões de pessoas

Por toda Jerusalém, o povo está comemorando a Páscoa. Mas, na pequena sala em que Jesus e seus discípulos fizeram sua última ceia, a atmosfera é soturna. Quando chegaram à Jerusalém seis dias antes, eles esperavam testemunhar o advento do Reino de Deus. Agora, tudo em que acreditam foi destruído. Já não lhes resta esperança. Eles perderam tudo. Fazem uma pequena refeição juntos, em süêncio, seguros de que, em questão de instantes, Caifás ou Pilatos enviarão soldados para prendê-los.

Páscoa

Na manhã do terceiro dia após a morte de Jesus, Maria Madalena decide visitar o seu túmulo. Ela sente muita saudade de seu mestre, e até mesmo a idéia de se sentar diante do seu local de descanso lhe serve de consolo. Ela sobe uma pequena colina e sabe que, mesmo em meio àquela neblina matinal, conseguirá ver o jazigo. Assim que chega ao cume, começa a procurar a tumba e vê que a entrada da caverna está aberta. A pedra foi empurrada para o lado. Será que alguém havia roubado o corpo de Jesus? Temerosa, Maria se aproxima da caverna, mas não ousa entrar.

Talvez os ladrões de sepulturas ainda estejam lá dentro, preparados
para espancá-la caso ela os interrompa. É então que um vulto distante e
irreconhecível, parado sobre as colinas, chama sua atenção.

– Mestre? – pergunta Maria, apavorada. Por um instante, imagina ter visto Jesus vivo. Mas não consegue saber ao certo. Logo em seguida, o vulto some de vista. O fato, no entanto, é que a tumba foi aberta e o corpo está desaparecido.

Onde está Jesus?

Maria Madalena chora diante da entrada da gruta. Ainda aos soluços, respira fundo e vence seus medos, dando um passo para dentro. A escuridão é total, mas seus olhos logo se habituam a ela. Maria vê a pedra em que o corpo de Jesus estava estendido. As tiras de linho que antes o envolviam se encontram empilhadas no chão. Ela sente o aroma do perfume que havia sido passado no cadáver para atenuar o cheiro de

decomposição.

– Por que está chorando? – diz uma voz masculina à entrada da tumba.

– Quem você está procurando?

Maria não consegue ver quem está falando. Embora amedrontada, ela reúne coragem para responder da escuridão.

Se você o levou, me diga onde ele está.

– Maria.

É a voz calma e sábia que ela conhece tão bem. O coração de Maria dá um salto em seu peito quando ela se dá conta de quem está falando.

– Jesus! – Seus olhos se enchem de lágrimas de alegria e espanto quando ela sai em direção à luz do sol.

Vá contar aos nossos irmãos que estou aqui.

Maria lança um olhar perplexo para Jesus. Ela pode ver as marcas, em suas mãos e em seus pés, onde os pregos lhe perfuraram a carne. Há uma aura em torno de Jesus, algo muito mais celestial do que qualquer coisa que ela tenha presenciado em todos aqueles dias que haviam passado juntos. É como se estivesse olhando para os dois lados do mesmo ser: Deus e homem. Então, ele desaparece. Maria, transbordando de alegria, volta correndo a Jerusalém para contar aos discípulos as boas-novas.

Desde a cruciíicação que os discípulos temem que as autoridades religiosas e os líderes romanos estejam trabalhando juntos para eliminar qualquer vestígio da sua fé – o que significa exterminar também os seguidores de Jesus. Eles estão escondidos, aguardando, temerosos, o dia em que serão descobertos.

Pedro olha por uma janela. ele é uma mera sombra do homem que costumava ver, e ninguém sequer o confudiria com o pescador rude que Jesus havia recrutado três anos antes.

Sem bater na porta, Maria Madalena irrompe na casa, delirante, gritando a plenos pulmões:

– Eu o vi! Eu o vi!

– Feche a porta! – exclama João.

Maria a fecha com um baque.

– A tumba está aberta – diz ela, ofegante. – Jesus desapareceu.

– Isso é impossível – responde Pedro, com irritação. – Jesus está morto.

– Precisam acreditar em mim. Eu o vi!

– Você deve ter ido à tuma errada – balbucia Tomé.

– Vocês acham que eu não reconheceria Jesus? Acham que eu sou louca?

– Os últimos dias têm sido difíceis, Maria. Para todos nós.

Isso a deixa furiosa. Ela agarra com força o punho de Pedro e o puxa em direção à porta.

– Venha comigo agora.

Pedro olha para João. Depois fita os outros discípulos. Seria arriscado se todos saíssem ao mesmo tempo, mas apenas dois deles talvez fosse mais seguro.

Pedro assente com a cabeça. Maria conduz João e Pedro rumo à luz do dia.

Páscoa 2

Eles ficam olhando, chocados e incrédulos, para a tumba vazia. Titubeantes, os discípulos espiam o interior da caverna a alguns metros de distância. Não conseguem ver pegadas ou qualquer sinal de que ladrões de sepulturas tenham estado ali, mas sabem que esta é a resposta mais óbvia.

– Ladrões – diz Pedro.

-Exatamente: ladrões de sepulturas – acrescenta João.

Pedro se aproxima da entrada. De repente, um círculo de luz branca brilha do interior da caverna. Pedro segue em direção à luz e vê a silhueta inconfundível de Jesus.

– Meu Senhor – sussura ele. Pedro estende a mão e toca seu Mestre.

Então, Jesus desaparece.

Atônito, Pedro sai da caverna. Maria nota a expressão em seu rosto.

– Agora acredita em mim? – pergunta ela.

Pedro entrega a João uma tira de linho que estava ao lado da pedra onde ficava o corpo.

– Mas ele se foi – diz João com perplexidade.

– Não meu irmão – assegura-lhe Pedro, reconquistando de repente sua velha confiança.-Pelo contrário. Ele voltou!

Exultante, Pedro se afasta dali e sai correndo colina abaixo. No caminho, compra um filão de pão de um comerciante.

– O que houve? – pergunta Mateus quando os três voltam ao seu esconderijo.

– Um cálice – pede Pedro. – Preciso de um cálice.

Pedro dá um pedaço de pão ázimo para João, que o coloca devagar na boca.

– O seu corpo – lembra-lhe Pedro. Um cálice é trazido e entregue para João. Pedro o enche vinho. – E o seu sangue – diz o discípulo.

Pedro, subitamente transformado na rocha de fé que Jesus sempre soube que ele poderia ser, olha de discípulo em discípulo.

– Acreditem nele. Ele está aqui. Nesta sala. Agora mesmo.

João bebe um generoso gole do cálice enquanto Pedro continua falando.

Lembrem-se do que ele nos disse: “Eu sou o caminho, a verdade…”

O próprio Jesus conclui a frase:

“…e a vida.”

Pedro se vira para trás. Jesus está diante da porta. Os discípulos ficam boquiabertos quando ele entra na sala.

– Que a paz esteja com vocês – diz Jesus, o Messias renascido.

– Não é possível – fala Tomé. – Não pode ser você, Jesus, que está aqui diante de nós. Isso é tudo uma fantasia, uma aparição causada pela dor do luto pelo homem que tanto amávamos.

Jesus se aproxima de Tome e apanha sua mão.

– Tomé – diz-lhe Jesus. – Pare de duvidar e acredite. – Ele coloca os dedos do discípulo nas feridas em suas mãos e depois no ferimento aberto na lateral do seu corpo. Quando baixa os olhos, Tome vê com clareza as terríveis nos pés de Jesus, onde os pregos atravessaram carne e osso, fincando-se na madeira da cruz.

 

Tomé não sabe como reagir. Ele havia viajado por toda parte com seu mestre; conhece a voz e a aparência dele tão bem quanto as suas próprias. Mas o que Jesus está pedindo é impossível. Tomé é um homem pragmático, comprometido com a verdade que não pode ser contestada por emoções ou artíficios. Mas o que lhe é pedido é que ele acredite estar tocando Jesus, como se tivesse tão vivo quando da última vez em que cearam juntos no andar de cima daquela casa. Parece impossível. Mas é real. Aquele é Jesus, não um sonho ou uma visão. Depois de tocar suas feridas e ouvir sua voz, Tomé, estupefato, olha nos olhos dele.

– Meu Senhor e Meu Deus – balbucia, as lágrimas enchendo seus olhos. – É mesmo você.

Jesus fita seu discípulo com compaixão.

– Você acreditou porque pôde me ver. Mas bem-aventurados os que não viram, e ainda assim creram.

A fé invade todo o ser de Tomé à medida que ele aceita, pouco a pouco, o que significa acreditar que tudo é possível em Deus. Esta é a fé em Jesus que transformará vidas. Não ver, e a ainda assim, crer.

Jesus logo transmite uma notícia triste aos seus discípulos: ele não veio para ficar. Seu trabalho na Terra está concluído. Ele havia morrido na cruz como um sacrifício pelos pecados de toda a humanidade. Ao longo de toda a história, cordeiros vinham sendo abatidos pelo mesmo motivo. Jesus fora o Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo. Havia derrotado a morte.

Ele surge diante de seus discípulos uma última vez antes de ascender aos céus. Pedro pescara a noite inteira e apanhara mais de 150 peixes. Os outros discípulos haviam passado a noite no litoral Enquanto Pedro puxava «redes do mar, Jesus convidou a todos para tomar café da manha junto dele. Quando terminaram a pequena refeição composta de pao e peixe lhes falou sobre o futuro. Ele perguntou duas vezes a Pedro.

-Você me ama?

Ambas as vezes Pedro respondeu que sim, surpreso com a pergunta. E, nas duas ocasiões, Jesus o instruiu a alimentar seus cordeiros e tomar conta de suas ovelhas. Mas, quando Jesus lhe perguntou a mesma coisa uma terceira vez, Pedro ficou tocado. Ele sabia que havia negado Jesus três vezes, de modo que aquelas respostas eram sua chance de redenção.

– Senhor – fala Pedro com um suspiro -, você conhece todas as coisas. Sabe do meu amor por você.

– Alimente meu rebanho – diz Jesus a ele uma terceira vez. – Siga-me!

Jesus se despede de seus discípulos quarenta dias depois de voltar à Terra. Durante três anos ele os havia treinado, preparando-os para liderar outras pessoas a seguir seus passos e adorar a Deus.

– O Espírito Santo descerá sobre vocês e lhes dará poder – diz ele. – Meu corpo só pode estar em um lugar, mas meu espírito pode acompanhar vocês onde quer que estejam. Viajem pelo mundo e espalhem o evangelho por toda a criação.

Os discípulos ouvem com atenção, sabendo que esta é a última vez que verão Jesus. Ele não está dizendo que o Espírito Santo descerá sobre eles agora, então sabem que devem esperar por este momento. Jesus para diante deles e lhes transmite paz. Tudo o que ele disse que ocorreria se concretizou, e está claro que o poder de Deus vai muito além do que eles ousavam imaginar. Eles não têm nada a temer – nem mesmo a morte. Esta é uma maneira apropriada de dizer adeus. Pedro é ungido o novo líder dos discípulos na ausência do mestre. – Que a paz esteja com vocês – diz Jesus.

As palavras ecoam na mente e no coração dos discípulos. A paz trazida por elas pulsa em suas veias e os enche de energia e de uma determinação serena – esta é a paz que lhes dará forças para fazer o trabalho de Deus. Então, Jesus ascende aos céus.

Os discípulos sofrem por sua perda, pois Jesus não está mais fisicamente ao lado deles. Os olhos de Pedro se enchem de lágrimas. Ele inclina a cabeça para cima, apertando os olhos em direção ao sol, tentando conter o choro. Quando sua respiração volta ao normal, ele se empertiga, dirigindo-s os discípulos. Pedro sabe que Jesus sempre estará com eles e com toda humanidade. Havia aceitado a ordem de segui-lo, fosse qual fosse o preço a pagar. Agora, é chegada a hora de se lançar ao mundo e mostrar a todos a grandeza de Deus.

– Sejam fortes, meus irmãos – diz Pedro, sua voz firme e corajosa. – Temos um trabalho a fazer.

Este momento em que Jesus se despede dos discípulos – que a partir de agora são chamados também de “apóstolos” – será para sempre conhecido como Ascensão. Dez dias depois desse acontecimento, milhares de peregrinos tornam a encher Jerusalém para o festival conhecido como Pentecostes. Trata-se de uma cerimônia de agradecimento, quando o povo judeu se lembra da abundância da colheita e das origens das leis transmitidas a Moisés.

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Redação Brasil News

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