Dilma já admite reforma ministerial para ganhar mais apoio no PMDB

A tese da reforma ministerial começa a se consolidar dentro do governo e a presidente Dilma já admite até em promover uma mudança mais ampla, incluindo Pepe Vargas, das Relações Institucionais, mas resisti em tirar Aloizio Mercadante, da Casa Civil, como recomenda o ex-presidente Lula. No máximo, admite afastá-lo da articulação política para se dedicar exclusivamente aos assuntos internos do governo. Uma reforma agora, com três meses de governo, não é uma prática comum, mas é defendida pelo ex-presidente Lula, como forma de abrir mais espaço para a base aliada, em especial o PMDB, e garantir apoio às medidas do ajuste fiscal.

A presidente Dilma Rousseff reuniu-se na noite de segunda-feira, dia 16, com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do PT, Rui Falcão, no Palácio da Alvorada. A presidente aproveitou também a presença do ex-senador e ex-presidente da República, José Sarney, na solenidade de sanção do Código de Processo Civil, realizada nessa data, dia 17, para uma longa conversa reservada em seu gabinete. Fontes palacianas não revelaram detalhes do encontro, mas admitem que a experiência do ex-presidente e sua amizade com Dilma podem ser úteis neste momento da vida nacional.

A DANÇA DAS CADEIRAS

Lula tem aconselhado Dilma a acelerar as mudanças no primeiro escalão, em um esforço para melhorar a relação com os principais aliados, PT e PMDB. Estaria nos planos da presidente, segundo alguns assessores, integrar o ex-deputado Henrique Alves (PMDB-RN) a equipe de governo. Para o Ministério do Trabalho, seria indicado um dirigente da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Atualmente, o PP ocupa a Integração Nacional com um técnico, Gilberto Occhi, enquanto que o PDT, com bancada reduzida a apenas 27 deputados, controla o Trabalho, com o ministro Manoel Dias. O atual ministro Gilberto Occhi pode ser substituído pelo ex-presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).

Em conversas reservadas, Dilma tem dito a interlocutores que poderá entregar o comando do Ministério da Integração Nacional, hoje na cota do PP, ao PMDB. O atual ministro Gilberto Occhi seria substituído pelo ex-presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) ou por outro peemedebista. Uma opção é colocar Henrique Alves no ministério de Turismo, que hoje é dirigido por Vinícius Lages, de Alagoas. Henrique Alves se credenciou a um ministério no governo Dilma depois que seu nome não apareceu na lista dos políticos encaminhada pelo procurador-geral, Rodrigo Janot, ao STF.

Se depender de Lula, Dilma deve substituir Aloizio Mercadante, que vem dividindo com Pepe Vargas, a função de articulador político, por Jaques Wagner (Defesa). Mercadante poderia voltar para a Educação, hoje sob o comando de Cid Gomes (Pros-CE), que está fragilizado desde que entrou em atrito com a Câmara dos Deputados ao afirmar que na Casa existem cerca de 400 achacadores. Tudo que o governo não precisa hoje é de um ministro em atrito com a Câmara dos Deputados.

Na articulação política, Dilma foi aconselhada por Lula a não nomear novamente um petista para o lugar de Pepe Vargas, nas Relações Institucionais Uma das possibilidades é indicar também um peemedebista, como o ministro Eliseu Padilha (Aviação Civil), ou Aldo Rebelo, do PC do B, hoje no Ministério de Ciência e Tecnologia.

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