No Brasil, motocicletas são a principal causa de acidentes

As motos já são a principal causa de ocorrências de trânsito no país, ultrapassando os atropelamentos de pedestres. Hoje, mais de metade das internações pelo Sistema Único de Saúde (SUS) são de motociclistas, que somam três quartos das indenizações do Seguro Obrigatório de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres (DPVAT).

Os números foram revelados durante o 1º Fórum Nacional da Cruz Vermelha Brasileira sobre Segurança Viária, pelo médico Fernando Moreira, especialista em medicina do trânsito e conselheiro da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor).

“As motos mudaram o padrão da mortalidade, com a expansão muito forte da frota de motos nos últimos dez anos, e hoje a principal vítima no trânsito já é o motociclista. O pedestre era historicamente quem mais sofria no trânsito, agora é o motociclista. Há vários fatores que incidem diretamente nesta utilização maior das motos, que é um veículo com um risco maior agregado do que um veículo de quatro rodas”, explicou Moreira.

Para o médico, a ausência de itens obrigatórios de segurança, como capacete e calçado fechado, também cooperam para os resultados. Além disso, salientou, em muitas cidades do país, especialmente no interior, é recorrente pilotarem moto sem possuir documento de habilitação.

“Lamentavelmente, em nosso país, não se usa um item obrigatório, que é o capacete. Muitas pessoas sequer tem habilitação para andar de moto. Em alguns locais do interior do país, 60% a 70% das pessoas não são habilitadas para dirigir moto, não conhecem minimamente a legislação de trânsito”, disse.

Cruz Vermelha

O representante da Cruz Vermelha Brasileira, José Mauro Braz de Lima, do Departamento Nacional de Educação e Saúde da entidade, apontou ainda para os números gerais de acidentes de trânsito no Brasil, que ocupa as primeiras posições no ranking de países com maior número de mortes no trânsito.

“É inaceitável o nível de mortes e feridos nas estradas. O que o Brasil hoje deve estar atento é que, sendo o país mais mata no mundo em relação ao acidente de trânsito, tem que ter uma atitude constante para isso. Temos que criar uma força-tarefa, em um programa de governo, como foi feito na França, para que tenhamos um modelo de atenção sistêmica”, afirmou José Mauro.

De acordo com os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), citados pela Cruz Vermelha, no Brasil, são 50 mil mortes por ano em acidentes de trânsito e 500 mil feridos nas ruas e rodovias.

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Redação Brasil News

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