Partido questiona reorganização de ministérios

O partido Rede Sustentabilidade apresentou ao Supremo Tribunal Federal – STF duas ações que questionam a Medida Provisória nº 886, que altera a estrutura administrativa do governo federal. O partido afirma que a norma afronta a Constituição Federal sobre os direitos constitucionais indígenas.

“A MP 886, ao transferir a demarcação das terras indígenas ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento operou a repristinação da velha política integracionista do direito antigo e obrigou os índios e suas comunidades a um falso tratamento isonômico em relação aos demais atores da sociedade brasileira, tratamento este que desconsidera e viola, a um só tempo, suas peculiaridades culturais e seus direitos constitucionais”, diz a ação.

A legenda também defende que a Medida Provisória consiste na reedição de diversos pontos rejeitados pelo Congresso Nacional da MP 870. Segundo a ação, essa é mais uma demonstração da sistemática da Presidência da República, de governar por decretos e medidas provisórias, passando por cima do Congresso Nacional, integrado pelos legítimos representantes do povo. A MP nº 870/2019 foi a primeira editada pelo governo, reduzindo o número de ministérios de 29 para 22. Entre outras mudanças trazidas pela MP estão a extinção do Ministério do Trabalho e a retirada da Funai e da demarcação de terras indígenas do Ministério da Justiça.

Segundo o advogado e professor de Direito Jorge Ulisses Jacoby Fernandes, a reforma administrativa que ocorre, a cada novo governo, por meio de medida provisória editada pelo presidente da República nunca foi tão polêmica. “Questões como o Coaf e terras indígenas ocuparam e ainda ocupam espaço na mídia. Na maioria das vezes, sem aprofundamento ou esclarecimentos dos fatos à luz Direito sistematizado”, afirma.

Conforme a Constituição

De acordo com a Constituição Federal, em caso de relevância e urgência, o presidente da República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional. Com a edição da Emenda Constitucional nº 32/2001, que alterou a redação do art. 62, acrescentando os parágrafos 1º ao 12, o tema das medidas provisórias ficou mais bem regulado. “Nesse sentido, é vedada a reedição, na mesma sessão legislativa, de medida provisória que tenha sido rejeitada ou que tenha perdido sua eficácia por decurso de prazo. Com a rejeição da Medida Provisória, fica o Congresso Nacional obrigado a editar decreto legislativo, em até 60 dias após a rejeição ou perda de eficácia de medida provisória para regular as relações jurídicas dela decorrentes. Não o fazendo, as relações continuam sendo regidas pela Medida revogada”, explica.

Conforme destaca o professor, todo poder emana no povo, que o exerce por meio de seus representantes eleitos, seja do Legislativo ou Executivo. É o que estabelece nossa Constituição no parágrafo único do art. 1º. A política é uma arte, quando seus atores se mostram capazes de compatibilizar interesses para atender ao bem comum”, ressalta Jacoby Fernandes.

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Redação Brasil News

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